A conta da energia elétrica é cobrada com base nos KWh consumidos. A taxa da água é calculada pelos metros cúbicos fornecidos e a do gás encanado, igualmente, pelo volume consumido. Os recursos que entram na sua casa são cobrados pelo que você consome. Então por que a coleta de lixo é cobrada por domicílio e não por quilogramas recolhidos e a de esgoto não é cobrada pelos litros lançados na rede? Talvez, ainda não seja viável fazer isso na sociedade pouco consciente em que vivemos. Concordo que ainda há muita coisa a fazer pelo ambiente antes de chegarmos a esse ponto, mas acredito que virá o dia em que seremos responsáveis pelo resíduo que produzimos. Quando esse dia chegar a lógica será simples: maior impacto ambiental, mais contas a pagar. Se o cidadão pagasse os custos do tratamento de seus resíduos, pensaria mais seriamente em reduzi-los. Esse conceito poderia ser aplicado em toda a cadeia produtiva como, por exemplo, no desenvolvimento de embalagens. A indústria de embalagens deveria pagar antecipadamente ao poder público pela destinação final da embalagem que põe no mercado. Se a embalagem tiver um custo ambiental alto, o pagamento antecipado pode ficar caro e inviabilizar o uso daquele tipo de embalagem. Assim a empresa talvez opte por outra solução de menor impacto. É uma solução baseada na pressão, mas que iria ao calcanhar de quem não está disposto a assumir a paternidade do que gera.
Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Cidadão digital: móvel, social, livre e legal
Se você está lendo este post na tela do computador, então pertence ao grupo seleto dos cidadãos digitais, que no Brasil são pouco mais do que 10% da população. Mas será que você é um cidadão digital descolado? Vou explicar: Você é fixo ou móvel? Pirata ou legal? Isolado ou social? Usa software comercial ou livre? Circulam por aí algumas receitas sobre as melhores práticas para o nosso dia-a-dia digital. Comecei a refletir sobre essas fórmulas para ver se elas têm algum fundamento e vou colocar a minha opinião em uma seqüência de posts sobre o assunto. As perguntas que vou tentar responder são as seguintes:
Fixo ou móvel? Os seus dados estão em um computador perto de você ou espalhados pela rede mundial?
Isolado ou social? Você compartilha seus dados ou os mantém acessíveis unicamente para si?
Comercial ou livre? Você usa software comercial ou da comunidade livre?
Pirata ou legal? Como está o seu nível de legalidade no uso dos recursos digitais?
Fixo ou móvel? Os seus dados estão em um computador perto de você ou espalhados pela rede mundial?
Isolado ou social? Você compartilha seus dados ou os mantém acessíveis unicamente para si?
Comercial ou livre? Você usa software comercial ou da comunidade livre?
Pirata ou legal? Como está o seu nível de legalidade no uso dos recursos digitais?
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Palavras-chave para os antenados no mundo digital
Aqui vai uma seqüência de palavras-chave para quem quer ficar em dia com o que rola ou vai rolar no front do mundo digital.
Ajax
Delicious
Digg
Listible
Mashup
Microforms
Netvibes
Podcast
RSS
Silverlight
Social search
Swicki
Technorati
Videocast
Web semântica
Widgets
Wikispaces
Ajax
Delicious
Digg
Listible
Mashup
Microforms
Netvibes
Podcast
RSS
Silverlight
Social search
Swicki
Technorati
Videocast
Web semântica
Widgets
Wikispaces
domingo, 17 de junho de 2007
A hora e a vez do copo de Nutella
Parece que os fabricantes de requeijão decidiram em bloco pôr fim aos copos de vidro, substituindo-os por antipáticos copos plásticos com tampas difíceis de encaixar. Todo mundo sabe que as embalagens de vidro de requeijão funcionavam muito bem como copos de uso geral em casa. Eram um caso bem sucedido de embalagem que se transformava em utilidade doméstica, ampliando consideravelmente o ciclo de vida do bem. A iniciativa da indústria de laticínios de acabar com os copos de vidro foi antiecológica, pois substituiu uma utilidade com ciclo longo por outra descartável e de impacto ambiental maior.
Comentei com uma colega de trabalho que a partir de agora o recurso do cidadão pão-duro e ecológico é apelar para os copos de Nutella. Ela me lembrou que Nutella não é barato e que deve ser pouco consumido por pessoas de baixa renda. Inconformado, fui ao supermercado conferir os preços e cheguei a uma conclusão bombástica: copos vazios de qualidade custam mais caro do que copos cheios com Nutella. Como os copos de Nutella são bonitinhos e reforçados, não tenho dúvida: lá em casa, de agora em diante, copos de uso geral só se for de Nutella. Além de mais baratos e ecológicos, vêm cheios com o delicioso creme de avelã.
Depois desta propaganda gratuita, bem que a Ferrero podia me presentear com 12 Nutellas para eu ter um jogo de copos completo lá em casa.
Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.
Comentei com uma colega de trabalho que a partir de agora o recurso do cidadão pão-duro e ecológico é apelar para os copos de Nutella. Ela me lembrou que Nutella não é barato e que deve ser pouco consumido por pessoas de baixa renda. Inconformado, fui ao supermercado conferir os preços e cheguei a uma conclusão bombástica: copos vazios de qualidade custam mais caro do que copos cheios com Nutella. Como os copos de Nutella são bonitinhos e reforçados, não tenho dúvida: lá em casa, de agora em diante, copos de uso geral só se for de Nutella. Além de mais baratos e ecológicos, vêm cheios com o delicioso creme de avelã.
Depois desta propaganda gratuita, bem que a Ferrero podia me presentear com 12 Nutellas para eu ter um jogo de copos completo lá em casa.
Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.
sábado, 16 de junho de 2007
Tradutor português/internetês
No endereço abaixo você encontra um tradutor que converte textos em português padrão para um dialeto internetês conhecido como miguxês. Quem diria, o internetês tem até dialetos. Você logo vai perceber que o miguxês é um dialeto descolado para mocinhas que passam torpedos, usam MSN, escrevem e-mail, etc.
Eu gosto das discussões sobre internetês porque nos levam a uma reflexão profunda sobre a língua em todos os seus níveis. Mas como esse post tem caracteres contados, vou apenas lembrar um conselho de Lech Walesa dado ao Presidente Lula em uma entrevista ao Fantástico. Era o início do primeiro mandato de Lula como presidente e Walesa disse que o presidente Lula dispunha de um aquário cheio de peixinhos e que para fazer uma sopa com ele bastaria ferver a água do aquário. Na Polônia, disse Walesa, o problema era outro: eles dispunham de uma sopa e queriam transformá-la em um aquário cheio de peixinhos. Vou adaptar a história do Walesa ao contexto dos tradutores: converter o português padrão em internetês é bem fácil, o problema é inventar um software que converta internetês em português padrão. De qualquer forma, o tradutor Miguxeitor é bem divertido. Vale a pena conferir para dar umas risadas.
http://aurelio.net/web/miguxeitor.html
Eu gosto das discussões sobre internetês porque nos levam a uma reflexão profunda sobre a língua em todos os seus níveis. Mas como esse post tem caracteres contados, vou apenas lembrar um conselho de Lech Walesa dado ao Presidente Lula em uma entrevista ao Fantástico. Era o início do primeiro mandato de Lula como presidente e Walesa disse que o presidente Lula dispunha de um aquário cheio de peixinhos e que para fazer uma sopa com ele bastaria ferver a água do aquário. Na Polônia, disse Walesa, o problema era outro: eles dispunham de uma sopa e queriam transformá-la em um aquário cheio de peixinhos. Vou adaptar a história do Walesa ao contexto dos tradutores: converter o português padrão em internetês é bem fácil, o problema é inventar um software que converta internetês em português padrão. De qualquer forma, o tradutor Miguxeitor é bem divertido. Vale a pena conferir para dar umas risadas.
http://aurelio.net/web/miguxeitor.html
sábado, 9 de junho de 2007
Ambientalismo é coisa de veado?
“Coisa de ambiente, vamos falar a verdade, até pouco tempo atrás era coisa de veado. Agora nós queremos fazer com que todos os trabalhadores defendam o meio ambiente.” Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical e deputado federal (PDT-SP) em discurso no Dia do Trabalho em São Paulo.
Sem gastar caracteres comentando a grosseria do cidadão, vamos ao que interessa. Acredito que o nobre deputado cometeu uma gafe calculada e que estava mais preocupado em atingir seu público do que em agradar ambientalistas. A declaração chula do deputado reflete bem a opinião de setores da sociedade sobre o ativismo ambiental. O grosso da população não se entusiasma com o ambientalismo fundamentalista por achar que se trata de uma futilidade. Boa parte da sociedade está disposta a abrir mão das belezas naturais em favor de objetivos econômicos. Com pessoas práticas assim, os argumentos que convencem são os econômicos e da sobrevivência. Nesse ponto, o Paulo mostrou que sabe das coisas, pois falou em ambientalismo de resultados. Bem, pelo menos, a questão ambiental agora virou coisa de macho paca.
Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.
Sem gastar caracteres comentando a grosseria do cidadão, vamos ao que interessa. Acredito que o nobre deputado cometeu uma gafe calculada e que estava mais preocupado em atingir seu público do que em agradar ambientalistas. A declaração chula do deputado reflete bem a opinião de setores da sociedade sobre o ativismo ambiental. O grosso da população não se entusiasma com o ambientalismo fundamentalista por achar que se trata de uma futilidade. Boa parte da sociedade está disposta a abrir mão das belezas naturais em favor de objetivos econômicos. Com pessoas práticas assim, os argumentos que convencem são os econômicos e da sobrevivência. Nesse ponto, o Paulo mostrou que sabe das coisas, pois falou em ambientalismo de resultados. Bem, pelo menos, a questão ambiental agora virou coisa de macho paca.
Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.
O copo de requeijão e o pão-durismo ecológico
Faça uma pesquisa na Internet com a expressão “sintomas de pobreza”. Você vai encontrar a clássica e divertida lista que traz as ações típicas do pobre como tomar banho de sol na laje, comprar churrasquinho com vale transporte ou esquentar pilhas para ver se rendem um pouco mais. Confesso que pratico regularmente algumas ações citadas nessa bendita lista. A maioria delas são coisa de pão-duro e independem de ser pobre ou rico. É nesse ponto que eu queria chegar. Em muitos aspectos, o cidadão ambiental é um cara pão-duro. Com muito orgulho, diga-se. Lá em casa, nós comprávamos copos para pôr à mesa, mas o tempo passava e os copos iam quebrando e quebrando. Foi aí que percebemos que a salvação estava nos copos de requeijão. Hoje não compramos mais copos. Para quê? Existem os copos de requeijão, de nutella, de extrato de tomate, etc. Sim. Eu uso copo de requeijão para tomar cerveja. É coisa de pobre, de pão-duro, mas é ecológica. Em vez de jogar o copo no lixo, dou uma nova função a ele, que será utilizado dezenas de vezes. Um dia ele vai quebrar, mas aí já cumpriu a dupla função de acondicionar o requeijão e de evitar que nós precisemos comprar copos. O pobre, em muitos aspectos, é ecológico porque sabe viver na escassez. E o que é ser ecológico senão administrar a escassez de recursos naturais? Por isso, senhores designers de embalagens, inventem embalagens cada vez mais bonitas e muiti funcionais em vez de trocar os copos de requeijão de vidro pelos de plástico. Os pobres e os cidadãos ambientais agradecem.
Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.
Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.
A Garganta do Coisa Ruim
Em Foz do Iguaçu, Paraná, ficam as Cataratas do Iguaçu, uma das maravilhas da natureza em nível mundial. O conjunto principal de quedas das cataratas chama-se Garganta do Diabo. Um grupo de pastores da cidade de Foz está propondo a mudança do nome desse acidente geográfico para Voz de Deus. Eles consideram que essa nova denominação seria mais adequada a um local de beleza natural tão rara. A sociedade é dinâmica, tudo muda o tempo todo, inclusive o nome das coisas, mas é preciso estar atento às razões que levam às mudanças. A História está repleta de exemplos irritantes de revisionismo fundamentalista. Voz de Deus mesmo é a voz do povo, que estabeleceu o nome por tradição. Mas quem acredita no poder invocatório das palavras pode chamar o local de Garganta do Rabudo ou Garganta do Lá de Baixo. Com certeza será entendido e vai evitar o mau fluido que pode vir da citação direta do nome do nefasto.
O fim da picada ambiental
Pessoas práticas concordam que uma calçada varrida é uma calçada limpa. Desculpem-me os obcecados por limpeza, mas lavar calçadas é uma necessidade duvidosa que a cada dia fica mais ridícula. Mas o fim da picada mesmo é fazer essa lavagem com requintes de incorreção. Veja o roteiro e pense se isso já aconteceu perto de você. Primeiro a pessoa empurra as folhas e o lixo da calçada para a sarjeta da rua com o jato da mangueira. Em seguida, aplica um produto agressivo como cloro ou ácido muriático para deixar a calçada bem clarinha. Depois lava a calçada com detergente e empurra a espuma para a sarjeta, sempre usando o jato da mangueira, claro. Dessa forma, se consegue consumir muita água tratada e entupir a sarjeta com lixo, além de lançar produtos químicos agressivos e detergente na rede de águas pluviais.
Se você quiser ver mais ações que são o fim da picada ambiental, visite: www.radames.manosso.nom.br/ambiental/fimdapicada.htm
Se você quiser ver mais ações que são o fim da picada ambiental, visite: www.radames.manosso.nom.br/ambiental/fimdapicada.htm
Mega hiper atividade
Internautas britânicos gastam em média um terço do tempo dedicado à Internet navegando sem propósito definido e fazendo buscas inúteis. Este é o resultado de uma pesquisa realizada no Reino Unido pelo instituto YouGov. A pesquisa confirma uma suspeita: o estilo web de interação favorece a dispersão. As páginas estão cheias de links que levam a páginas com mais links. Facilmente, o usuário cai na tentação de clicar em um desses links chamativos que não tem a ver com o seu objetivo inicial. Dali em diante, de link em link, o usuário logo estará bem longe de seu propósito. Depois de um tempo, muitos internautas não conseguem sequer lembrar o que queriam fazer no início da navegação. Fico aqui pensando que efeito esse ambiente dispersivo pode ter sobre a garotada que está crescendo nele. No futuro, alguém conseguirá ler um livro até oo fim? Haverá mão de obra disponível para trabalhos que exigem atenção sustentada? Tudo bem. Cada geração tem seus problemas. Eu passei a infância e a adolescência diante da televisão e isso não me prejudicou tanto assim. Pelo menos, espero que não. A web pode ser um fator ambiental muito negativo principalmente para aqueles com algum grau de hiperatividade. Por isso, meu caro, se você for pai (ou mãe), observe como a sua turminha está surfando. A atenção sustentada será uma qualidade rara no futuro. Quem a tiver estará em considerável vantagem.
Fundamentalismo ambiental
O nascimento do pequeno Knut, ursinho polar do zoológico de Berlim, mostrou ao público geral uma face nada verde do ativismo ambientalista. O ursinho foi rejeitado pela mamãe ursa e agora vive sob cuidados de humanos. Organizações de defesa dos animais protestam contra os cuidados dedicados que o ursinho vem recebendo no zoológico. Dizem que o convívio excessivo com humanos vai causar danos irreparáveis ao comportamento do animal. Eles sugerem inclusive o sacrifício do pequeno Knut. Não há erro no que estou dizendo. Quem está sugerindo o abate do pequeno Knut não é a “Associação dos Caçadores de Ursos”, mas algumas associações alemãs de defesa dos animais. Sem dúvida, o melhor para Knut seria ter nascido lá no Pólo Norte, longe de qualquer humano e que lá pudesse viver tranqüilo com sua mãe que lhe ensinaria a caçar e a sobreviver no gelo. Mas humanos deixaram mamãe urso acasalar em cativeiro sabendo que seu filhote estaria destinado a viver em cativeiro por toda a sua vida. Agora o bichinho nasceu e a mãe o rejeitou. Será que isso aconteceria em ambiente selvagem? Talvez sim, mas o zoológico foi criado por seres humanos que agora têm que resolver toda essa lambança. Esses ambientalistas não tinham que estar lutando pelo fim dos zoológicos?
Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.
Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.
Conservapedia e os adoradores do acaso
Felizmente, a Wikipedia não é a única enciclopédia da Internet, pois apesar de todas as suas virtudes, ela tem suas limitações. Recentemente, surgiu a Conservapedia (www.conservapedia.com), que usa estrutura de wiki e se propõe a fazer um contraponto à Wikipedia trazendo uma visão cristã conservadora do mundo. Seus verbetes mais polêmicos são aqueles ligados à evolução. Lá se afirma que o mundo surgiu a cerca de 6000 anos e que os homens conviveram com os dinossauros. Todos têm o direito de crer no que acham melhor para si, mesmo que as evidências apontem na direção oposta. Mas o que me incomoda nesse caso, não são os criacionistas que mantêm a Conservapedia. Preocupa-me o fundamentalismo oposto. Os criacionistas não têm voz ativa no meio científico, ao contrário dos ateístas militantes. Eu nunca consegui entender o que o ateísmo tem a ver com ciência. Sempre entendi que a ciência deve manter igual distância tanto do criacionismo quanto do ateísmo, porque as duas vertentes tem muito em comum entre si e nada em comum com o pensamento científico. Nunca fui a fundo para saber se o fundamentalismo ateu influencia de alguma forma negativa o pensamento científico. Sabemos que o criacionismo, turvou por muito tempo o avanço de teorias como a da evolução. Resta saber se a hipótese do acaso não causa igual estrago à evolução da ciência.
Assine seu protocolo de Kyoto
Em Kyoto, muitos países assumiram compromisso com a adoção de medidas para reduzir o aquecimento global. Ultimamente, tenho visto muitas matérias na mídia falando sobre efeito estufa, mas não vejo ninguém sugerindo medidas práticas que a população pode adotar para colaborar na redução do problema. Por isso, resolvi assinar o meu próprio protocolo de Kyoto. Eu, como homem poluidor, fixo a meta de reduzir pela metade os danos que causo ao meio ambiente em um prazo de 5 anos. Sei que isso é insuficiente, mas é uma meta muito mais ambiciosa do que o compromisso assumido pelos países em Kyoto. Além do mais, uma meta assim exige mudanças razoáveis na minha vida cotidiana. Preciso de tempo e dinheiro para isso. Como vivo em sociedade, estou consciente de que não consigo mudar tudo à minha volta. Posso tomar várias medidas pessoais e, quem sabe, influenciar pessoas à minha volta a mudar comportamentos também. Mas há limites para minha ação. Por exemplo: se eu quisesse zerar minha produção individual de lixo, teria que parar de ir ao supermercado, já que atualmente, quase tudo vem dentro de embalagens descartáveis. Assim sendo, reduzir minhas agressões ao meio ambiente em 50% nos próximos cinco anos está de bom tamanho, até porque os primeiros 50% não exigem um esforço descomunal. Com boa vontade e muita determinação acho que chegarei lá. Aos poucos, vou detalhar aqui no blog como pretendo alcançar esse objetivo.
Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.
Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.
10 coisas que você pode fazer pelo meio ambiente
Essas, você pode fazer sem esperar pelo governo, pela grande conscientização do povo, por leis mais severas, etc., etc.
Não imprima. Leia na tela do micro, ora. Não vale dizer que só consegue ler aquilo que você pega nas mãos. Isso é fetiche.
Recuse aquelas sacolas que as lojas oferecem porque elas vão virar lixo assim que você chegar em casa. Põe na bolsa, no bolso, leve na mão ou traga uma sacola de pano de casa, uai.
Prefira um carro flex. Se o seu carro já é flex, abasteça com álcool, que não aumenta o aquecimento global e costuma ser mais barato. Ah, e compre um carro suficiente para a sua necessidade. O que são aquelas caminhonetes gigantes rodando em centro de cidade e consumindo duas vezes mais combustível do que um carro urbano médio?
Máquinas que refrigeram como ar condicionado e geladeira devem ser livres de gases que aumentam o buraco na camada de ozônio.
Assine jornais e revistas on-line e não receba mais em casa centenas de quilos de papel anualmente.
Coisas feitas de madeira têm que vir de reflorestamento onde se respeita regras ambientais ou de extração controlada e sustentável.
Separe o lixo no capricho em cinco grupos: papel, metal, vidro, plástico e orgânico. Se isso for feito em um condomínio, dá para levantar uma grana e ainda gera empregos.
Se você, em último caso, tiver que consumir papel, prefira o reciclado não branqueado.
Prefira o reutilizável em vez do descartável, como era nos bons tempos dos nossos avós. Tenha uma xícara para o café no escritório em vez de detonar copinhos descartáveis. Compre bebidas em garrafas reutilizáveis. Pratinho, talher, guardanapo, tudo descartável? Que preguiça, hein?
Vá a pé, de bicicleta, de ônibus, ou se puder, não vá. Alguns felizardos trabalham em casa. Outros fazem tudo pela Internet. Ajude sua saúde, seu bolso e o meio ambiente.
Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.
Não imprima. Leia na tela do micro, ora. Não vale dizer que só consegue ler aquilo que você pega nas mãos. Isso é fetiche.
Recuse aquelas sacolas que as lojas oferecem porque elas vão virar lixo assim que você chegar em casa. Põe na bolsa, no bolso, leve na mão ou traga uma sacola de pano de casa, uai.
Prefira um carro flex. Se o seu carro já é flex, abasteça com álcool, que não aumenta o aquecimento global e costuma ser mais barato. Ah, e compre um carro suficiente para a sua necessidade. O que são aquelas caminhonetes gigantes rodando em centro de cidade e consumindo duas vezes mais combustível do que um carro urbano médio?
Máquinas que refrigeram como ar condicionado e geladeira devem ser livres de gases que aumentam o buraco na camada de ozônio.
Assine jornais e revistas on-line e não receba mais em casa centenas de quilos de papel anualmente.
Coisas feitas de madeira têm que vir de reflorestamento onde se respeita regras ambientais ou de extração controlada e sustentável.
Separe o lixo no capricho em cinco grupos: papel, metal, vidro, plástico e orgânico. Se isso for feito em um condomínio, dá para levantar uma grana e ainda gera empregos.
Se você, em último caso, tiver que consumir papel, prefira o reciclado não branqueado.
Prefira o reutilizável em vez do descartável, como era nos bons tempos dos nossos avós. Tenha uma xícara para o café no escritório em vez de detonar copinhos descartáveis. Compre bebidas em garrafas reutilizáveis. Pratinho, talher, guardanapo, tudo descartável? Que preguiça, hein?
Vá a pé, de bicicleta, de ônibus, ou se puder, não vá. Alguns felizardos trabalham em casa. Outros fazem tudo pela Internet. Ajude sua saúde, seu bolso e o meio ambiente.
Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.
Risco de vida ou risco de morte?
Fiquem tranqüilos. Não vou tentar provar qual das duas expressões está correta. Sinceramente, acho que as duas são equivalentes, mas fiz uma pesquisa na Internet e achei partidários ferrenhos de risco de vida que provam por A mais B que os defensores de risco de morte estão redondamente enganados. Estes, por sua vez, provam exatamente o oposto. A minha curiosidade surgiu depois de perceber que os jornalistas, de uns tempos para cá, só falam risco de morte. Mas por que, se até há bem pouco todo mundo falava risco de vida e não havia problema nenhum nisso? Ah, a língua tem seus modismos. Da noite para o dia uma expressão que caia tão bem fica terrivelmente démodé. Por falar nisso, você já conhecia a palavra démodé? Fiquei espantado quando o corretor automático do Word colocou dois acentos nela. Pensei que não havia em língua portuguesa palavra com dois acentos, mas corri ao Aurélio e ele me confirmou: sim, démodé leva dois acentos. Herança francesa. Mas voltando aos modismos da língua: De repente, aparece um desocupado que resolve implicar com risco de vida e sai por aí formulando teorias científicas sobre esse assunto tão fundamental. De implicância em implicância, a moda pega e agora todo mundo adere ao risco de morte. Que coisa linda é a língua. Dá espaço para todo mundo brilhar, principalmente aqueles mais chatos. Acho que na moda de vestuário é assim também. Cuidado para não ficar démodé usando expressões fora de moda como démodé.
A Retórica do Jornal Nacional. Para o bem e para o mal
O Jornal Nacional de 13/02/2007 levou ao ar uma matéria única, autêntico caso de estudo sobre os compromissos do jornalismo e o seu potencial de passar mensagens subliminares. Era uma matéria sobre a questão da maioridade penal que começou com trechos do depoimento dos pais do menino João Hélio Fernandes de 6 anos, martirizado por monstros no Rio de Janeiro em 07/02/2007. Os pais do menino concederam entrevista ainda sob o impacto da tragédia. Com os olhos marejados, lançaram pedidos às autoridades para que tomassem providências, inclusive revendo a maioridade penal para baixo. Um dos acusados pela morte do menino João tem 16 anos de idade e não será alcançado pela justiça como deseja o clamor popular por ser menor penal. Em seguida, o JN enfileirou o depoimento frio e asséptico de alguns especialistas do direito incluindo o da gélida presidente do STF, ministra e juíza Ellen Gracie, todos fazendo ressalvas ao rebaixamento da maioridade penal e sugerindo que essa discussão não pode ser feita em ambiente de forte comoção. O contraste foi brutal. O JN conseguiu com uma simples técnica de edição desacreditar os engravatados juristas, que talvez quisessem passar por serenos, mas ganharam a imagem de frios e insensíveis diante de uma população chocada com a tragédia humana de um garoto brutalmente assassinado. A seqüência de depoimentos ’serenos’ de juristas após o depoimento autêntico e viceral dos pais do menino João deu xeque mate nos adversários da redução da maioridade penal. Para finalizar a peça, o depoimento do deputado Fernando Gabeira, o único a se colocar contra protelações e abafamentos do problema. Gabeira disse que não há ocasião propícia para discutir a violência, porque a sociedade vive em permanente sobressalto e é inútil aguardar por um momento ideal à reflexão. Os recursos retóricos do jornalismo podem ser usados para o bem e para o mal. O JN é especialista no assunto. Nesse caso, a manipulação proposital da edição reforçou a impressão de que existe um distanciamento, que beira o descaso, das autoridades relativamente à questão da maioridade penal.
Títulos and titles
Traduções podem ser surpreendentes. Às vezes empobrecem o texto original. Dizem que essa é a possibilidade que ocorre com maior freqüência. Em outros casos, fazem o texto original parecer melhor do que realmente é. E há os casos em que a tradução é independente a ponto de não ter quase nada a ver com o original. Veja alguns títulos de filmes só para ilustrar a idéia. Em itálico, o título original e entre parênteses uma tradução mais literal.
A primeira noite de um homem
The graduate (O diplomado)
Crepúsculo dos deuses
Sunset Boulevard (Bulevar do pôr do sol).
O original faz referência à famosa avenida de Hollywood.
Duelo de titãs
Last train from Gun Hill (Último trem de Gun Hill)
Gun Hill é uma localidade onde acontecem cenas do filme.
O destino bate à sua porta
The postman always rings twice (O carteiro sempre toca duas vezes)
Os brutos também amam
Shane (Nome do personagem principal)
Meu ódio será sua herança
The wild bunch (O bando selvagem)
Rastros de ódio
The searchers (Os procuradores ou Os buscadores).
Sete homens e um destino
The magnificent seven (Os sete magníficos)
Três homens em conflito
Il buno, il brutto, il cattivo (O bom, o mau e o feio)
Vidas amargas
East of Eden (A leste do Éden)
O meu favorito é Rastros de ódio. Ainda está para aparecer um título melhor que esse. Não tem quase nada a ver com o original, mas sintetiza o filme. Filosófico, profundo. Aliás, os títulos brasileiros de westerns são muito inspirados, um caso a parte realmente.
A primeira noite de um homem
The graduate (O diplomado)
Crepúsculo dos deuses
Sunset Boulevard (Bulevar do pôr do sol).
O original faz referência à famosa avenida de Hollywood.
Duelo de titãs
Last train from Gun Hill (Último trem de Gun Hill)
Gun Hill é uma localidade onde acontecem cenas do filme.
O destino bate à sua porta
The postman always rings twice (O carteiro sempre toca duas vezes)
Os brutos também amam
Shane (Nome do personagem principal)
Meu ódio será sua herança
The wild bunch (O bando selvagem)
Rastros de ódio
The searchers (Os procuradores ou Os buscadores).
Sete homens e um destino
The magnificent seven (Os sete magníficos)
Três homens em conflito
Il buno, il brutto, il cattivo (O bom, o mau e o feio)
Vidas amargas
East of Eden (A leste do Éden)
O meu favorito é Rastros de ódio. Ainda está para aparecer um título melhor que esse. Não tem quase nada a ver com o original, mas sintetiza o filme. Filosófico, profundo. Aliás, os títulos brasileiros de westerns são muito inspirados, um caso a parte realmente.
Habilidades obsoletas
A chegada do Windows Vista pode inutilizar mais uma habilidade que eu tenho em elevada estima: a capacidade de organizar conteúdos. Por motivos óbvios, nós apreciamos com mais intensidade as habilidades que dispomos em quantidade razoável. Ficamos frustrados quando não são valorizadas ou, pior, quando pela evolução tecnológica, elas perdem a utilidade. Para me auto consolar lembrei que não é de hoje que isso vem acontecendo.
Alguns dias atrás fui procurado por uma colega de trabalho que queria saber como se calcula a raiz quadrada de um número. Todos nós conhecemos o axioma fundamental da matemática contemporânea que reza: raiz quadrada é um número obtido na calculadora. Minha colega, porém, ouvira dizer que em um passado remoto as pessoas faziam o cálculo com lápis e papel através de um método ensinado na escola. Como eu sou cronologicamente anterior a ela, fui consultado sobre o assunto, mas infelizmente ou felizmente, no meu tempo de escola já não era comum o ensino do cálculo da raiz quadrada com lápis e papel. Minha colega queria ajudar um aluno da sexta série que faria o cálculo em uma prova de matemática. Isso indica que ainda há pelo menos um professor no Brasil que ainda vê razão em se saber calcular a raiz quadrada de um número. Bem, esse professor deve ter suas razões. Alguns dirão que ele é um ultrapassado, mas talvez existam objetivos pedagógicos válidos por trás dessa abordagem. Agora vamos voltar ao Windows Vista.
O Vista vem equipado com um serviço de busca que opera sobre os arquivos do micro. Funciona como se fosse um personal Google dentro do seu computador. A busca fuça no texto do documento e localiza dados que antes só eram alcançados abrindo os arquivos um a um. De agora em diante, os usuários do micro não precisarão mais organizar seus arquivos cuidadosamente em pastas, nem ser criteriosos na escolha dos nomes para facilitar a localização deles no futuro. Para que ser organizado, se a busca do Vista vai encontrar tudo rapidamente? Basta digitar a palavra-chave correta e o Vista pinça a informação no emaranhado de arquivos do computador. Bom para os desorganizados que nunca sabem onde enfiaram aquele arquivo importante que foi nomeado singelamente como Documento.doc. Quanto aos organizados, esses podem continuar organizados, mas por mero saudosismo, ou quem sabe, para um fortalecimento abstrato e intangível do intelecto. Afinal, sempre há uma calculadora à mão e no futuro haverá sempre um Vista perto de você.
Alguns dias atrás fui procurado por uma colega de trabalho que queria saber como se calcula a raiz quadrada de um número. Todos nós conhecemos o axioma fundamental da matemática contemporânea que reza: raiz quadrada é um número obtido na calculadora. Minha colega, porém, ouvira dizer que em um passado remoto as pessoas faziam o cálculo com lápis e papel através de um método ensinado na escola. Como eu sou cronologicamente anterior a ela, fui consultado sobre o assunto, mas infelizmente ou felizmente, no meu tempo de escola já não era comum o ensino do cálculo da raiz quadrada com lápis e papel. Minha colega queria ajudar um aluno da sexta série que faria o cálculo em uma prova de matemática. Isso indica que ainda há pelo menos um professor no Brasil que ainda vê razão em se saber calcular a raiz quadrada de um número. Bem, esse professor deve ter suas razões. Alguns dirão que ele é um ultrapassado, mas talvez existam objetivos pedagógicos válidos por trás dessa abordagem. Agora vamos voltar ao Windows Vista.
O Vista vem equipado com um serviço de busca que opera sobre os arquivos do micro. Funciona como se fosse um personal Google dentro do seu computador. A busca fuça no texto do documento e localiza dados que antes só eram alcançados abrindo os arquivos um a um. De agora em diante, os usuários do micro não precisarão mais organizar seus arquivos cuidadosamente em pastas, nem ser criteriosos na escolha dos nomes para facilitar a localização deles no futuro. Para que ser organizado, se a busca do Vista vai encontrar tudo rapidamente? Basta digitar a palavra-chave correta e o Vista pinça a informação no emaranhado de arquivos do computador. Bom para os desorganizados que nunca sabem onde enfiaram aquele arquivo importante que foi nomeado singelamente como Documento.doc. Quanto aos organizados, esses podem continuar organizados, mas por mero saudosismo, ou quem sabe, para um fortalecimento abstrato e intangível do intelecto. Afinal, sempre há uma calculadora à mão e no futuro haverá sempre um Vista perto de você.
Não imprima. A natureza agradece
Esses dias recebi um e-mail que trazia no final a mensagem: ‘Não imprima este e-mail. A natureza agradece.’ Folgo em saber que algumas pessoas pensam assim. Não basta reciclar o lixo produzido. É preciso gerar menos lixo. E para isso, algumas iniciativas cotidianas simples podem ajudar e muito. O advento dos computadores foi muito bom para a indústria do papel. Parece um paradoxo pensar que com a informática as pessoas passaram a consumir mais papel, uma vez que os documentos ficam armazenados no computador, circulam por e-mail e, teoricamente, não precisam existir mais na forma celulósica. A explicação é simples: o computador simplificou a geração de papel. Basta apertar aquele botãozinho na tela e a impressora começa a cuspir folhas. Certo é que a maior parte das páginas que saem da impressora não precisariam estar saindo por ali. Mas o comodismo é um dos motores do consumo. Sim, algumas pessoas acham que um documento impresso é mais seguro que um digital. Será? Sim, ainda é um pouco mais confortável ler em papel do que na tela do computador. Só um pouco, bem entendido, mas o suficiente para as impressoras ficarem cuspindo papel dia e noite. Eu já trabalhei em uma fábrica de papel e celulose e sei bem que a produção desse bem de consumo é uma das mais poluentes e danosas ao meio ambiente. Consumimos área agrícola para plantar as árvores que dão a celulose. A fabricação da celulose e do papel consomem energia e lançam grandes quantidades de poluentes na água e no ar. Por isso, quanto menos papel você consumir, melhor para todos nós.
Ah, sim, não imprima este post. A natureza agradece.
Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.
Ah, sim, não imprima este post. A natureza agradece.
Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.
A babelização do cinema
Babel, o último filme de Alejandro González Iñárritu, consolida uma das tendências do cinema americano: o multiculturalismo. Iñárritu é mexicano, mas faz carreira brilhante em Hollywood, juntamente com conterrâneos seus como Alfonso Cuarón e Guillermo Del Toro. Isso não é exatamente uma novidade, pois Hollywood em seu anos iniciais acolheu diretores estrangeiros que se tornaram lendários como o italiano Frank Capra, o grego Elia Kazan ou o austríaco Billy Wilder. Esses saudosos diretores, porém, eram imigrantes que buscaram a América em uma época em que lá ficava a terra prometida. Em tempos atuais, o que vale são as regras da globalização. Hollywood vai buscar os bons diretores onde quer que eles estejam. O brasileiro Fernando Meirelles já dirigiu em Hollywood, um reconhecimento ao seu talento incontestável e ao seu potencial para gerar bilheterias. Mas não é só por isso que Hollywood abre portas aos talentos de outros países. A moeda sonante caindo nas bilheterias do mundo afora continua ditando a lei imutável da indústria cinematográfica. E para embolsar o money é preciso estar sintonizado com as tendências culturais. A onda da padronização pelo american way já teve seu auge e começa a refluir. A cada ação, uma reação. A americanização do mundo gerou seus efeitos colaterais e os anticorpos da cultura produziram o multiculturalismo. Já são inúmeros os filmes notáveis falados em vários idiomas, ou americanos, mas falados em outro idioma que não o inglês. Bom para todos, inclusive para os americanos. Nem só de big mac vive o homem.
Homo Artificialis
Ao escrever o romance Frankenstein, Mary Shelley antecipou um dos grandes dramas humanos do terceiro milênio: o cientista cria e a criatura se rebela contra o criador. Ao meditar sobre as possibilidades da engenharia genética sou levado a crer que um dia o homem criará o seu sucessor como espécie dominante nesse planeta. No passado, o homo sapiens, de alguma forma, venceu a luta pela perpetuação em contraste com outros hominídeos que como o homem de Neanderthal se extinguiram. Quando os homens usarem os recursos da engenharia genética para criar novas espécies a tentação será irresistível no sentido de criar uma espécie derivada da humana, mas superior em habilidades. Como a evolução é progresso e não meramente adaptação, estará aberto o caminho para o surgimento de formas de vida mais complexas do que as que conhecemos, no caso mais complexas e sofisticadas do que nós mesmos. Não estou falando de robôs ou andróides que se rebelam contra a espécie humana, mas em uma nova espécie derivada da humana, vida autêntica com aquele irresistível impulso de perpetuação e que há de se impor como nova espécie dominante. E isso se dará por uma ração simples: a nova espécie é superior em habilidades e terá uma vantagem competitiva esmagadora sobre a espécie que a gerou. Nesse ponto o papel do homo sapiens estará cumprido. Entregaremos o bastão e uma espécie mais qualificada assumirá o comando na tortuosa tarefa de se aproximar de Deus.
A supremacia Google
Eu admiro as virtudes do Google, seu pioneirismo e sua eficiência em buscas na Internet. No entanto, fico incomodado com uma certa idolatria bovina que percebo nas pessoas em relação ao grande buscador. E não falo de pessoas pouco articuladas. Tenho visto uma confiança incondicional no Grande Irmão em pessoas com razoável senso crítico. Qual será o pó de pirlimpimpim que Google esparje sobre a massa internáutica? Em parte, creio que sua eficiência realmente impressione, mas existem outros buscadores eficientes também. Temos que lembrar que Google tem um certo apelo em função de sua trajetória: dois jovens universitários talentosos desenvolvem uma solução inovadora que repentinamente cai nas graças do usuário e os leva ao topo do estrelato. É o velho arquétipo dos eleitos que estavam no lugar certo na hora certa. E temos também aquele discurso de Google que se propõe a ser imparcial em seus critérios de ranqueamento. Um serviço supostamente do bem. Todos esses ingredientes criam uma aura mística em torno de Google que pode impedir as pessoas de ver em que ele realmente se tornou: uma mega empresa americana de abrangência mundial com vocação monopolista que opera com serviços estratégicos de informação. O mesmo Google que se diz do bem concordou em operar de forma controlada na China para garantir sua presença nesse imenso mercado. Os métodos de ranqueamento de Google são mantidos em segredo sob alegação de que sua divulgação facilitaria a vida dos pilantras que querem subir artificialmente na lista de resultados. Mas se os resultados de Google influem no sucesso de um site e há grossos interesses comerciais em jogo, não seria razoável que Google mostrasse claramente a todos que seus métodos realmente são transparentes? Uma iniciativa interessante para combater o monopólio na área de buscas veio na versão 7 do Internet Explorer. A partir dessa versão, o usuário pode indicar seus mecanismos de busca preferidos e faz isso consultando uma lista que acompanha o programa. O internauta pode manter vários buscadores ao alcance de um clique no seu navegador. Tomara que iniciativas como essa diluam a concentração de poder que está se criando no mercado de busca da Internet. Mas essa discussão só faz sentido se não vier uma nova revolução por aí como as buscas semânticas, capazes de adivinhar pensamentos.
Calcinhas com endereço IP
Estava eu acompanhando as notícias tecnológicas e vi Bill Gates anunciando a era da conexão total. Pessoas, empresas e aparelhos, todos ligados na grande rede. Do escritório, você pode consultar a sua geladeira para ver se está faltando alguma coisa antes de ir ao supermercado na volta do serviço. Antes de chegar em casa, pelo celular, você liga o ar condicionado da sala para encontrar o ambiente fresquinho ao entrar. Não consegue encontrar o carro no estacionamento? Use a Internet e peça para seu carrro dar um grito: ¿estou aqui no fundo, querido amo¿. Algumas notícias depois, fiquei sabendo de um vídeo que está rolando no Youtube chamado Vibra call. É um vídeo curtinho que mostra alunos universitários em sala de aula. Todos concentrados, lá no meio da turma, uma aluna envia chamadas pelo celular para algum número que não atende. Entendemos onde se encontra o aparelho de destino da ligação quando outra aluna, sentada um pouco mais à frente começa a se comportar de forma peculiar. É, já dá para imaginar a tecnologia conectando pessoas de todas as formas possíveis
Promessas de ano novo
Bem, ano novo chegou e tenho que fazer algumas promessas a mim mesmo. Para não me levar ao auto-engano, vou divulgar as promessas aqui para que haja testemunhas.
8 macro promessas
Ler os 1024 livros mais importantes escritos até hoje.
Escrever 8 livros (espero que sejam importantes para alguém).
Ouvir a Abertura 1812 de Tchaikovsky … Na praça Vermelha.
Refazer o caminho de Van Helsing ao perseguir o conde Drácula de Londres até a Transilvânia … Em um Mercedes.
Fundar uma sociedade secreta. Não posso dar detalhes sobre isso.
Tirar 128 fotos de Curitiba e repetir cada foto todo ano até o resto da minha vida.
Criar uma caranguejeira. (Acho que o IBAMA não vai permitir.)
Inventar uma palavra que acabe dicionarizada.
4 micro promessinhas
Ler um livro a cada 15 dias.
Assistir um filme clássico por semana.
Escrever um post por semana neste blog.
Ficar unplugged um dia a cada semana.
8 macro promessas
Ler os 1024 livros mais importantes escritos até hoje.
Escrever 8 livros (espero que sejam importantes para alguém).
Ouvir a Abertura 1812 de Tchaikovsky … Na praça Vermelha.
Refazer o caminho de Van Helsing ao perseguir o conde Drácula de Londres até a Transilvânia … Em um Mercedes.
Fundar uma sociedade secreta. Não posso dar detalhes sobre isso.
Tirar 128 fotos de Curitiba e repetir cada foto todo ano até o resto da minha vida.
Criar uma caranguejeira. (Acho que o IBAMA não vai permitir.)
Inventar uma palavra que acabe dicionarizada.
4 micro promessinhas
Ler um livro a cada 15 dias.
Assistir um filme clássico por semana.
Escrever um post por semana neste blog.
Ficar unplugged um dia a cada semana.
Doentio, maldito e cult: O albergue
Esse filme já entrou na lista dos mais violentos de todos os tempos e tem boas chances de encabeçá-la. É claro que existe violência e violência. As pessoas de bom senso repelem apenas os filmes com violência gratuita e glamourizada. Sob circunstâncias apropriadas, a violência pode levar à reflexão, mas é difícil dizer em que categoria se enquadra O Albergue. Sua violência é estúpida ou tem dimensão filosófica? O diretor Eli Roth se diz satisfeito em ver os espectadores com o estômago revirado por causa do filme e que seu objetivo era esse mesmo. Eu, como membro do grupo dos estômagos revirados, confesso que fechei os olhos em algumas cenas e que passei o dia seguinte com o apetite estragado e com algumas imagens me atormentando. Talvez por ser tão chocante, O Albergue acabe nos forçando à reflexão.
O filme conta a história de três jovens mochileiros, dois americanos e um islandês, que viajam pela Europa em busca de aventuras. Por sugestão de um desconhecido, acabam viajando à Bratislava, na Eslováquia, onde supostamente as garotas são lindas e adoram transar com estrangeiros. Chegando na cidade, os três jovens se hospedam em um albergue onde realmente há belas garotas bastante acessíveis. Até demais, convenhamos. Em pouco tempo, um deles desaparece e os dois que restaram resolvem se entreter visitando um museu da tortura. Bem, nesse ponto o espectador começa a deduzir o que virá em seguida.
Podemos dividir o filme em três partes. Na primeira, a que mais lembra um filme de terror trash adolescente, temos a criação do clima. Os três mochileiros percorrem a Europa em busca daquelas coisas clássicas: algazarra, bebidas, sexo e drogas e são bem sucedidos em seus propósitos. Na segunda parte, temos o sadismo extremo e sem atenuantes, com direito a centenas de litros de sangue, mais de 500, segundo dados da produção. Na última parte, temos a fuga frenética e a vingança brutal.
Quentin Tarantino é produtor executivo do filme e deu pitacos no roteiro. Sua influência na obra é visível. Temos os elementos típicos da escola tarantina: flerte com o trash, violência extrema, amoralidade, sadismo. Tudo isso faz com que O Albergue seja uma obra polêmica, por excelência. Além de todo o questionamento em torno de seu tema central, violência sádica desenfreada, outras questões marginais igualmente polêmicas completam o conjunto. O Albergue nos mostra adolescentes hedonistas, mimados e dissolutos, uma Europa sofisticada, mas decadente, crianças de rua que agem como uma matilha de lobos e americanos enfrentando inimigos por todos os lados e das mais variadas nacionalidades.
O Albergue não é o primeiro filme hiper violento da história. A violência sempre esteve presente nas narrativas. Desde a tragédia grega, violência e morte permeiam a arte e com o cinema não poderia ser diferente. Desde o início, houve filme violentos, mas temos que admitir que há um crescimento espiral da intensidade, como se houvesse uma busca pela quebra de recordes em violência explícita. Já vão longe os tempos de Psicose, em que a morte era apenas sugerida pela água turva de sangue escorrendo pelo ralo da banheira. Quentin Tarantino é um dos diretores que levaram a violência cinematográfica a um novo patamar e o diretor Eli Roth parece disposto a bater todos os recordes. Onde vai chegar essa escalada? O promissor Eli Roth é um dos diretores que pode nos dar a resposta.
Para finalizar, a reflexão inevitável. Toda a violência que revira o estômago do espectador na parte central do filme, a do ¿açougue¿, é repetida na última parte, a da vingança brutal. Só que no final, nosso estômago não fica revirado. Até vibramos com os sucessos do rapaz porque estamos sedentos de vingança e a vontade de fazer justiça com as próprias mãos nos transforma. Só resta perguntar: afinal, qual é a diferença entre a violência de um sádico e a de alguém possuído pela fúria? Nenhuma. Os dois se divertem, cada um ao seu modo.
O Albergue
Título original: Hostel
Direção de Eli Roth
Lançado em 2005 (EUA)
Site oficial: www.oalbergue.com.br
O filme conta a história de três jovens mochileiros, dois americanos e um islandês, que viajam pela Europa em busca de aventuras. Por sugestão de um desconhecido, acabam viajando à Bratislava, na Eslováquia, onde supostamente as garotas são lindas e adoram transar com estrangeiros. Chegando na cidade, os três jovens se hospedam em um albergue onde realmente há belas garotas bastante acessíveis. Até demais, convenhamos. Em pouco tempo, um deles desaparece e os dois que restaram resolvem se entreter visitando um museu da tortura. Bem, nesse ponto o espectador começa a deduzir o que virá em seguida.
Podemos dividir o filme em três partes. Na primeira, a que mais lembra um filme de terror trash adolescente, temos a criação do clima. Os três mochileiros percorrem a Europa em busca daquelas coisas clássicas: algazarra, bebidas, sexo e drogas e são bem sucedidos em seus propósitos. Na segunda parte, temos o sadismo extremo e sem atenuantes, com direito a centenas de litros de sangue, mais de 500, segundo dados da produção. Na última parte, temos a fuga frenética e a vingança brutal.
Quentin Tarantino é produtor executivo do filme e deu pitacos no roteiro. Sua influência na obra é visível. Temos os elementos típicos da escola tarantina: flerte com o trash, violência extrema, amoralidade, sadismo. Tudo isso faz com que O Albergue seja uma obra polêmica, por excelência. Além de todo o questionamento em torno de seu tema central, violência sádica desenfreada, outras questões marginais igualmente polêmicas completam o conjunto. O Albergue nos mostra adolescentes hedonistas, mimados e dissolutos, uma Europa sofisticada, mas decadente, crianças de rua que agem como uma matilha de lobos e americanos enfrentando inimigos por todos os lados e das mais variadas nacionalidades.
O Albergue não é o primeiro filme hiper violento da história. A violência sempre esteve presente nas narrativas. Desde a tragédia grega, violência e morte permeiam a arte e com o cinema não poderia ser diferente. Desde o início, houve filme violentos, mas temos que admitir que há um crescimento espiral da intensidade, como se houvesse uma busca pela quebra de recordes em violência explícita. Já vão longe os tempos de Psicose, em que a morte era apenas sugerida pela água turva de sangue escorrendo pelo ralo da banheira. Quentin Tarantino é um dos diretores que levaram a violência cinematográfica a um novo patamar e o diretor Eli Roth parece disposto a bater todos os recordes. Onde vai chegar essa escalada? O promissor Eli Roth é um dos diretores que pode nos dar a resposta.
Para finalizar, a reflexão inevitável. Toda a violência que revira o estômago do espectador na parte central do filme, a do ¿açougue¿, é repetida na última parte, a da vingança brutal. Só que no final, nosso estômago não fica revirado. Até vibramos com os sucessos do rapaz porque estamos sedentos de vingança e a vontade de fazer justiça com as próprias mãos nos transforma. Só resta perguntar: afinal, qual é a diferença entre a violência de um sádico e a de alguém possuído pela fúria? Nenhuma. Os dois se divertem, cada um ao seu modo.
O Albergue
Título original: Hostel
Direção de Eli Roth
Lançado em 2005 (EUA)
Site oficial: www.oalbergue.com.br
Os 32 milhões de livros do mundo na palma da mão
Li recentemente em uma reportagem do NY Times que já foram escritos pelo homem cerca de 32 milhões de livros. Pesquisei e não encontrei que fonte o jornal usou para chegar a esse número mas creio que algum cálculo sério está por trás dele. Fico imaginando o espaço necessário para acomodar todos esses livros. A Biblioteca Pública da minha cidade deve ter uns 500 mil títulos e já ocupa um prédio de quatro pavimentos. Mas chegará o dia em que esses 32 milhões de livros estarão disponíveis na palma da nossa mão em um pequeno dispositivo informatizado. Não sei quando, mas creio que esse dia chegará. Então, teremos uma situação próxima daquela descrita por Jorge Luis Borges em um de seus contos. Borges nos fala de um pequeno livro feito com páginas de espessura infinitesimal. Por isso, apesar de pequeno, o livro contem todo o conhecimento humano. Borges nos conta que o livro contem uma página especial em que encontramos a explicação do mundo. O problema é encontrá-la em um livro de infinitas páginas. Não sei se a biblioteca universal digital que está em gestação vai conter a página mágica relatada por Borges, mas a idéia de pôr todos os livros do mundo na palma da mão com os recursos da Informática é pelo menos tão fantástica quanto a do livro de páginas infinitas de Borges.
RSS: a informação que vai até você
Muitas inovações tecnológicas precisam aguardar o tempo certo para florescer. Em 1995, a Microsoft lançou uma proposta de canais de Internet como um item do Windows 95. Funcionava de maneira semelhante ao RSS. A informação era enviada para o computador do usuário, em vez de o usuário sair pela web em busca da informação. Os canais eram janelinhas de Internet atualizadas periodicamente sem que o usuário precisasse se incomodar em fazer a atualização Na época não deu certo por vários motivos. A Internet não dispunha de banda para o serviço e os canais ainda não geravam conteúdo em quantidade. Passados dez anos, agora temos o RSS, que a meu ver, vai causar uma pequena revolução na forma como consumimos informação.
Navegar ativamente pela Internet é bom, mas os endereços são muitos e a informação se dispersa por uma profusão de sites. Com o RSS, as novidades chegam até você quase em tempo real e você recebe notícias de várias fontes simultaneamente. É fácil fazer a triagem do que lhe interessa. Decididamente, é difícil imaginar uma maneira de ficar mais on-line com o que se passa na Internet.
No entanto, como tudo na vida, tirando o caldo de galinha, o RSS também tem efeitos colaterais e pode ser um ingrediente a mais na sopa da neurose on-line em que estamos nos metendo. É ótimo receber as novidades quentinhas saídas do forno direto no seu computador e ser avisado que elas chegaram com um suave plim de campainha. Mas sempre mantenha o controle do comando Fechar. Enquanto você puder eleger um dia da semana como o dia unplugged, estará a salvo da neurose on-line.
Navegar ativamente pela Internet é bom, mas os endereços são muitos e a informação se dispersa por uma profusão de sites. Com o RSS, as novidades chegam até você quase em tempo real e você recebe notícias de várias fontes simultaneamente. É fácil fazer a triagem do que lhe interessa. Decididamente, é difícil imaginar uma maneira de ficar mais on-line com o que se passa na Internet.
No entanto, como tudo na vida, tirando o caldo de galinha, o RSS também tem efeitos colaterais e pode ser um ingrediente a mais na sopa da neurose on-line em que estamos nos metendo. É ótimo receber as novidades quentinhas saídas do forno direto no seu computador e ser avisado que elas chegaram com um suave plim de campainha. Mas sempre mantenha o controle do comando Fechar. Enquanto você puder eleger um dia da semana como o dia unplugged, estará a salvo da neurose on-line.
A Globo quer saber de onde virá o dinheiro
Estava eu vendo o Jornal Nacional quando notei um novo padrão de cobertura da corrida presidencial 2006. A Globo agora cobre a agenda de todos os candidatos, inclusive dos nanicos, o que pode ser bem democrático, mas cacete, na medida que dá voz a pessoas que não tem representatividade para consumir o horário nobre das nossas mentes. Mas o padrão que eu quero ressaltar é o seguinte: a emissora anuncia a proposta do candidato. Fulano prometeu isso ou aquilo. Só que na seqüência, ele deve dizer “como” cumprirá a promessa. Quando a Globo acha que o candidato não deu explicações satisfatórias sobre “como” cumprirá a promessa, encerra a cobertura com a frase: “o candidato não informou de onde virão os recursos para realizar sua proposta.”
A Globo está agindo em sintonia com a Lei de Responsabilidade Fiscal, que tem uma lógica bem simples: gastou tem que pagar. Provavelmente algum guru da emissora, elocubrando lá debaixo de seu turbante, decidiu que é preciso levar os brasileiros a um novo patamar de consciência política. Sempre didaticamente, um degrau de cada vez, a emissora resolveu que sua cruzada nessa eleição será inculcar no eleitorado brasileiro a consciência da responsabilidade fiscal. Por coincidência, os candidatos mais dispostos a assumir a imagem de fiscalmente responsáveis são o primeiro e o segundo colocado nas pesquisas.
Vamos e venhamos: orçamentos são finitos e escassos, mas existem mil maneiras diferentes de fatiar o queijo, dependendo das prioridades de quem tem a faca na mão. É cansativo a cada dia ouvir o repórter perguntar: “mas de onde virá o dinheiro?” O dinheiro vai ser tirado de outro lugar onde faz menos falta, ora. Infelizmente, seria preciso analisar a proposta completa do candidato, saber onde ele vai cortar, onde ele vai injetar dinheiro, etc., mas isso tudo é muito técnico. Não creio que estejamos preparados para esse nível satisfatório de questionamento.
Essa tentativa da Globo de evangelizar o eleitor me faz lembrar da primeira campanha realizada aqui em Curitiba pela prefeitura em pról da coleta seletiva do lixo. Nessa campanha, que ocorreu há anos atrás, o público foi orientado a separar o lixo em duas latas diferentes: a do lixo comum e a do lixo que não é lixo (o reciclável). Só depois de muitos anos, em 2006, a prefeitura iniciou uma nova campanha, mais aprofundada. Agora os curitibanos começam a separar o lixo em cinco latas diferentes: orgânico, papel, metal, plástico e vidro, cada uma com sua cor específica. Se a coleta seletiva de lixo ocorresse da forma mais sofisticada possível o número de latas seria bem maior. Infelizmente, a população não está pronta para tanto. Com o eleitorado não é diferente. Ainda estamos no primeiro degrau da conscientização sobre a responsabilidade fiscal. Espero que o eleitor não absorva de forma equivocada esse conceito e passe a agir como os repórteres papagaios da Globo: “mas de onde virá o dinheiro?”
A Globo está agindo em sintonia com a Lei de Responsabilidade Fiscal, que tem uma lógica bem simples: gastou tem que pagar. Provavelmente algum guru da emissora, elocubrando lá debaixo de seu turbante, decidiu que é preciso levar os brasileiros a um novo patamar de consciência política. Sempre didaticamente, um degrau de cada vez, a emissora resolveu que sua cruzada nessa eleição será inculcar no eleitorado brasileiro a consciência da responsabilidade fiscal. Por coincidência, os candidatos mais dispostos a assumir a imagem de fiscalmente responsáveis são o primeiro e o segundo colocado nas pesquisas.
Vamos e venhamos: orçamentos são finitos e escassos, mas existem mil maneiras diferentes de fatiar o queijo, dependendo das prioridades de quem tem a faca na mão. É cansativo a cada dia ouvir o repórter perguntar: “mas de onde virá o dinheiro?” O dinheiro vai ser tirado de outro lugar onde faz menos falta, ora. Infelizmente, seria preciso analisar a proposta completa do candidato, saber onde ele vai cortar, onde ele vai injetar dinheiro, etc., mas isso tudo é muito técnico. Não creio que estejamos preparados para esse nível satisfatório de questionamento.
Essa tentativa da Globo de evangelizar o eleitor me faz lembrar da primeira campanha realizada aqui em Curitiba pela prefeitura em pról da coleta seletiva do lixo. Nessa campanha, que ocorreu há anos atrás, o público foi orientado a separar o lixo em duas latas diferentes: a do lixo comum e a do lixo que não é lixo (o reciclável). Só depois de muitos anos, em 2006, a prefeitura iniciou uma nova campanha, mais aprofundada. Agora os curitibanos começam a separar o lixo em cinco latas diferentes: orgânico, papel, metal, plástico e vidro, cada uma com sua cor específica. Se a coleta seletiva de lixo ocorresse da forma mais sofisticada possível o número de latas seria bem maior. Infelizmente, a população não está pronta para tanto. Com o eleitorado não é diferente. Ainda estamos no primeiro degrau da conscientização sobre a responsabilidade fiscal. Espero que o eleitor não absorva de forma equivocada esse conceito e passe a agir como os repórteres papagaios da Globo: “mas de onde virá o dinheiro?”
Bia Falcão e os dólares na cueca
Novela de televisão é melodrama e uma das regras desse gênero é que, no final, os mocinhos se dão bem e os vilões se dão mal. Não foi o que aconteceu ao final da novela Belíssima. Bia Falcão, a vilã, após cometer alguns assassinatos no Brasil, foge em um jatinho para Paris, onde encerra a novela em grande estilo bebendo champanhe com seu gigolô trazido do Brasil. Outra regra válida para novelas é que, somente em alguns poucos casos, o autor tem o direito de formar opinião no público e que, na maioria das vezes, ele apenas reflete a opinião formada dos espectadores. Infelizmente, para criar esse final contrário às regras do melodrama, o autor de Belíssima não teve que contrariar a opinião formada dos telespectadores. Ao contrário, a novela teve o fim que teve justamente porque os telespectadores estavam preparados para aceitar um fim com inversão de valores.Ocorreu algo semelhante em 1988 com a novela Vale Tudo, da Rede Globo. No final de Vale Tudo, o vilão também escapa em um jatinho e manda uma banana para os brasileiros da janela.Diferentes épocas, mas o mesmo contexto social. Em 1988, o país vivia um período de grande desgaste da classe política diante da opinião pública. A população presenciava políticos corruptos escapando ilesos de qualquer punição por suas falcatruas. Em 2006, a situação não é diferente na degradação da vida política.Como em todo melodrama, o final é o momento de se passar a mensagem. Seria típico esperar um final em que os valores positivos triunfam, o bem vence o mal, etc. Mas porque o autor optou pela inversão de valores? Por que Bia Falcão terminou tomando champanhe na janela, com a paisagem da Torre Eifel ao fundo? Por que o garoto de programa, que durante a novela toda teve a oportunidade e o incentivo para mudar de ramo, optou por acompanhar Bia a Paris em mais uma concessão do autor à negação dos valores que um melodrama deveria reforçar?Infelizmente, autor de novela não forma opinião num caso desses. Ele não pode ir contra a vontade do público. E talvez o público queira mesmo ver os vilões se dando bem. Talvez seja esta a reação torta do público diante da ressaca moral que vive o país. Talvez o brasileiro se enxergue bem no papel de gigolô da classe política e ache natural carregar dólares na cueca como mula a serviço de políticos corruptos.
A lista negra de Google
Foi noticiado na imprensa que Google retirou de sua lista o site da BMW alemã, alegando supostos expedientes desonestos dessa empresa para subir no ranking do Grande Buscador. Parece-me estranho pensar que a BMW precisa lançar mão de expedientes heterodoxos para subir no ranking do Google, mas enfim, essa decisão do Grande Irmão é histórica. Entramos na Era do Index de Google. Portanto, cuidado. Daqui em diante você é Googável ou você é não-Google. Se os Grandes Sacerdotes do Oráculo decidirem que você viola os honestos e objetivos algoritmos de ranqueamento do Engenho, você está fora. Em outro mundo, o serviço de busca procuraria refinar seus algoritmos para escapar dos espertalhões. Assim agem incansavelmente as empresas que trabalham com segurança na web. Mas com Google, parece que a história é outra. Google é senhor do BEM e sabe o que nós mortais podemos ver ou não. Graças a Deus, Google só opera para o BEM. Mas o que é o BEM? “O BEM é tudo o que o Sergey Brin diz que é o BEM.” (Eric Schimidt - CEO da Google).
Obs.: Sergey Brin e Larry Page são os donos do Grande Irmão.
Google vê. Google sabe. Google pode.
Obs.: Sergey Brin e Larry Page são os donos do Grande Irmão.
Google vê. Google sabe. Google pode.
Wikipedia livre, mas com responsabilidade
Em apenas cinco anos de existência a Wikipedia tornou-se um fenômeno cultural. Acredito que, em parte, o sucesso desse projeto deve-se ao fato de os grandes buscadores darem destaque aos verbetes da Wikipedia. Com isso, o número de visitas aumentou e, conseqüentemente, o número de artigos publicados também, pois uma coisa puxa a outra.A idéia de uma enciclopédia livre é formidável. Com tanta gente competente nesse mundo, não se justifica mais deixar a divulgação do conhecimento a cargo de um grupo restrito de notáveis. A Wikipedia abriu espaço para que pessoas competentes possam escrever sobre os assuntos que dominam. No entanto, nem tudo são rosas. O fato de ser livre se constitui no ponto forte da Wikipedia e, ao mesmo tempo, em seu calcanhar de Aquiles. Já começam a se tornar visíveis os problemas que o projeto traz implícitos em sua proposta. Com o seu crescimento exponencial, a Wikipedia começa a sofrer com as conseqüências de seu gigantismo.
Eu utilizo a Wikipedia com freqüência como fonte de informação. Não tenho encontrado problemas de qualidade quando a informação procurada é objetiva como a biografia básica de um autor conhecido. Mas quando se trata de conhecimento mais especializado, que requer um domínio maior de conceitos e muita clareza na exposição, confesso que a Wikipedia deixa a desejar. Há pouco tempo consultei a Wikipedia em português para conhecer o que ela trazia sobre Lingüística, uma área em que tenho opinião formada. Para minha decepção, os verbetes que consultei eram, de modo geral, incompletos, imprecisos e bastante confusos. Talvez essa deficiência vá sendo eliminada gradativamente. Talvez eu devesse parar de criticar e devesse arregaçar as mangas, tentando melhorar um pouco os textos naquilo em que eu acho que poderia dar alguma contribuição.
A impressão que tenho é que a Wikipedia está se transformando em um grande repositório de conhecimento e é preciso fazer o que for possível para que ela caminhe na direção da qualidade. E para isso acontecer será necessário associar liberdade com responsabilidade. De alguma maneira, é preciso garantir que a informação de qualidade prevaleça sobre a medíocre e que a imparcialidade prevaleça sobre o radicalismo. Algumas medidas podem ajudar nesse sentido como, por exemplo, eliminar a contribuição anônima. Todos podem editar a Wikipedia desde que se identifiquem de algum modo. Outra forma de melhorar a qualidade é a criação de conselhos editoriais que abonariam alterações em verbetes consolidados. É claro que a imposição de qualquer limite à operação da Wikipedia pode parecer censura, autoritarismo, engessamento, etc., mas a liberdade absoluta é uma abstração. A melhor liberdade é aquela que se exerce com responsabilidade.
Eu utilizo a Wikipedia com freqüência como fonte de informação. Não tenho encontrado problemas de qualidade quando a informação procurada é objetiva como a biografia básica de um autor conhecido. Mas quando se trata de conhecimento mais especializado, que requer um domínio maior de conceitos e muita clareza na exposição, confesso que a Wikipedia deixa a desejar. Há pouco tempo consultei a Wikipedia em português para conhecer o que ela trazia sobre Lingüística, uma área em que tenho opinião formada. Para minha decepção, os verbetes que consultei eram, de modo geral, incompletos, imprecisos e bastante confusos. Talvez essa deficiência vá sendo eliminada gradativamente. Talvez eu devesse parar de criticar e devesse arregaçar as mangas, tentando melhorar um pouco os textos naquilo em que eu acho que poderia dar alguma contribuição.
A impressão que tenho é que a Wikipedia está se transformando em um grande repositório de conhecimento e é preciso fazer o que for possível para que ela caminhe na direção da qualidade. E para isso acontecer será necessário associar liberdade com responsabilidade. De alguma maneira, é preciso garantir que a informação de qualidade prevaleça sobre a medíocre e que a imparcialidade prevaleça sobre o radicalismo. Algumas medidas podem ajudar nesse sentido como, por exemplo, eliminar a contribuição anônima. Todos podem editar a Wikipedia desde que se identifiquem de algum modo. Outra forma de melhorar a qualidade é a criação de conselhos editoriais que abonariam alterações em verbetes consolidados. É claro que a imposição de qualquer limite à operação da Wikipedia pode parecer censura, autoritarismo, engessamento, etc., mas a liberdade absoluta é uma abstração. A melhor liberdade é aquela que se exerce com responsabilidade.
Juscelino e Jucelino
Fiz uma pesquisa de sites no buscador líder da web com o argumento Jucelino e encontrei 27.400 ocorrências. Depois, tentei com Juscelino e obtive 531.000 resultados. Eu tinha em mente obter informações sobre o presidente JK e realmente, nas duas buscas, a maioria dos resultados trazia informações sobre ele. Algumas coisas me impressionaram nessa experiência simples. Primeiro, a grande quantidade de sites que falam sobre o presidente JK usando a grafia errada do seu nome. Em segundo lugar, agradou-me saber que a quantidade de sites que usam a grafia correta é praticamente 20 vezes superior a dos sites com grafia errada. Também achei interessante o fato de que o serviço de busca consegue detectar lapsos de digitação em certos casos. Digitei o argumento Presidente Jucelino e recebi 240.000 resultados mesmo tendo errado na grafia. Em quase todos, o nome Juscelino estava escrito corretamente. Bastou especificar melhor minha necessidade pare o serviço de busca perceber meu lapso.
Animado com essas conclusões, fiz outra experiência. Desta vez digitei Luis Inácio entre aspas para forçar busca com a frase exata e obtive 245.000 resultados. Em seguida, pesquisei com Luiz Inácio entre aspas e consegui 2.700.000 endereços. A maioria dos sites trazia informações sobre o atual presidente brasileiro. Novamente, os casos com grafia fora do padrão foram em número muito menor do que os casos com grafia correta.
Uma terceira experiência também apresentou resultados interessantes: Vigotski (22.000 ocorrências), Vigotsky (57.500 ocorrências) e Vygotsky (648.000 ocorrências). Como o nome do psicólogo russo se escreve na origem em cirílico, não dá para dizer que haja uma grafia oficial em português para esse nome, mas tudo indica que a terceira opção (Vygotsky) é a preferida da comunidade acadêmica.
A conclusão a que cheguei é que os textos da web têm um percentual de incorreção ortográfica minoritário, mas significativo.
Para finalizar, mais algumas curiosidades:
Cabelereiro (62.000 ocorrências) e cabeleireiro (261.000 ocorrências)
Estensão (22.300 ocorrências), estenção (735 ocorrências), estenssão (65 ocorrências ) e extensão (3.100.000 ocorrências).
Pesquisei também algumas variantes aceitáveis como:
Beringela (65.600 ocorrências) e berinjela (127.000 ocorrências)
Loira (1.940.000 ocorrências) e loura (445.000 ocorrências)
Ótica (1.310.000 ocorrências) e óptica (3.400.000 ocorrências)
Animado com essas conclusões, fiz outra experiência. Desta vez digitei Luis Inácio entre aspas para forçar busca com a frase exata e obtive 245.000 resultados. Em seguida, pesquisei com Luiz Inácio entre aspas e consegui 2.700.000 endereços. A maioria dos sites trazia informações sobre o atual presidente brasileiro. Novamente, os casos com grafia fora do padrão foram em número muito menor do que os casos com grafia correta.
Uma terceira experiência também apresentou resultados interessantes: Vigotski (22.000 ocorrências), Vigotsky (57.500 ocorrências) e Vygotsky (648.000 ocorrências). Como o nome do psicólogo russo se escreve na origem em cirílico, não dá para dizer que haja uma grafia oficial em português para esse nome, mas tudo indica que a terceira opção (Vygotsky) é a preferida da comunidade acadêmica.
A conclusão a que cheguei é que os textos da web têm um percentual de incorreção ortográfica minoritário, mas significativo.
Para finalizar, mais algumas curiosidades:
Cabelereiro (62.000 ocorrências) e cabeleireiro (261.000 ocorrências)
Estensão (22.300 ocorrências), estenção (735 ocorrências), estenssão (65 ocorrências ) e extensão (3.100.000 ocorrências).
Pesquisei também algumas variantes aceitáveis como:
Beringela (65.600 ocorrências) e berinjela (127.000 ocorrências)
Loira (1.940.000 ocorrências) e loura (445.000 ocorrências)
Ótica (1.310.000 ocorrências) e óptica (3.400.000 ocorrências)
Aquele que não se deve nomear
Quando converso com meus filhos sobre Harry Potter, costumo dizer brincando - não pronuncie o nome daquele que não se deve nomear - referindo-me ao bruxo mor que atormenta o garoto Potter. Meu filho caçula adora pronunciar o nome proibido só para ver minha reação falsamente indignada. Bem, por via das dúvidas, não vou escrever aqui o nome do bruxo que lidera a facção do mal no mundo de Hogwarts. O que quero falar mesmo é sobre o poder mágico das palavras. A autora J.K. Rowling sabe muito bem como as palavras mágicas fascinam crianças e até adultos. No mundo de Hogwarts, se certas palavras forem pronunciadas, coisas acontecem e não estamos falando de acontecimentos banais e sim, de mágica. Da mesma forma, certas palavras não devem ser pronunciadas, como é o caso do nome do nefasto bruxo inominável, caso contrário, coisas terríveis podem acontecer. J.K.Rowling não inventou as palavras mágicas, nem as palavras tabu. Elas existem desde os primeiros tempos. Nos dias de hoje, envolvidos pelo cerco da vida tecnológica, nos afastamos dessa percepção do mundo como um lugar mágico. No entanto, isso parece nos fazer falta. Prova dessa necessidade é o encanto que a série Harry Potter desperta em crianças e adultos. No mundo de Hogwarts, o bruxo inominável não pode ser nomeado porque citar o mal equivale a invocá-lo. Basta consultar o verbete diabo em um bom dicionário para ver a profusão de palavras que existem para se referir ao inominável sem usar seu nome. De certa forma, criando palavras alternativas para se referir ao inominável, estamos criando novos nomes para ele. A diferença é que essas formas alternativas não têm o poder invocatório que o nome oficial possui. Era assim na religiosidade primitiva, assim é hoje em nossa busca do mágico e do sagrado perdidos.
O que letras maiúsculas têm a ver com Saci-Pererê e Lúcifer
Aprendemos desde a infância que nomes próprios devem ser escritos com iniciais maiúsculas. Também está escrito no Fomulário Ortográfico que devemos escrever com iniciais maiúsculas os nomes de seres mitológicos, o que é uma redundância, pois esses nomes são próprios e estão incluídos na regra maior dos nomes próprios. Apesar disso, estranhamente, alguns gramáticos recomendam que se escreva os nomes de entidades do folclores brasileiro em minúsculas. Quer dizer: o nome dos seres da mitologia grega se escreve com iniciais maiúsculas (Minotauro, Cérbero, Esfinge), mas os coitados do Saci-Pererê, Caipora e Curupira pertencem a uma mitologia das classes baixas de um país subdesenvolvido e por isso não merecem a deferência de uma inicial maiúscula. Esse exemplo ilustra o preconceito que está embutido nas regras de uso de iniciais maiúsculas na nossa ortografia. Nomes de festas religiosas devem ser escritos em iniciais maiúsculas (Natal, Páscoa), mas Carnaval não, porque é uma festa pagã. A própria regra de usar iniciais maiúsculas como forma de deferência ao ser citado é um tiro que saiu pela culatra, pois nos obriga a escrever com iniciais maiúsculas nomes de seres que não são dignos de deferencia alguma como Lúcifer e Mefistófeles.
A unanimidade Google
Já dizia Nelson Rodrigues, o maior psicólogo depois de Freud, que toda unanimidade é burra. Atualmente vivemos a delirante unanimidade de Google. Google, é claro, aproveita a maré para arrebanhar mais ovelhinhas para seu rebanho. Sua mais recente investida é uma proposta realmente revolucionária e preocupante. O Grande Irmão quer uma Internet mais rápida para todos e dará a sua contribuição da seguinte maneira: o Grande Irmão vai guardar uma cópia de todas as páginas da Internet em seus servidores. Quando você precisar das páginas pedirá a Google e não mais ao site de origem. Google promete ser mais rápido na resposta que o site de origem. Para o internauta se beneficiar dessa rapidez precisa apenas consentir que Google seja o intermediário da informação. Basta que o internauta ovelha assine um pacto com Google.
Caro colega usuário de Google, sim, eu também acesso o Grande Irmão, reflita comigo. Se boa parte dos internautas decidirem pedir suas páginas a Google, em vez de pedir diretamente ao dono da página chegará o dia em que a Internet será Google. Tanto os criadores de conteúdo e como os consumidores se tornarão dependentes totais de Google.
Ainda bem que os criadores de Google, definiram no contrato social da empresa que ela só poderia prestar serviços visando o BEM.
Caro colega usuário de Google, sim, eu também acesso o Grande Irmão, reflita comigo. Se boa parte dos internautas decidirem pedir suas páginas a Google, em vez de pedir diretamente ao dono da página chegará o dia em que a Internet será Google. Tanto os criadores de conteúdo e como os consumidores se tornarão dependentes totais de Google.
Ainda bem que os criadores de Google, definiram no contrato social da empresa que ela só poderia prestar serviços visando o BEM.
1024 livros para a vida
Durante a vida, um homem deve ler 1024 livros. Não 1024 livros quaisquer, mas os 1024 livros mais relevantes produzidos pelo engenho humano. Se você abraçar essa meta e mantiver um ritmo de um livro a cada quinzena, cumprirá o objetivo em menos de 50 anos. Começando na adolescência, chegará à terceira idade tranquilo com o objetivo atingido.É claro que durante a vida você lerá jornais, Almanaque Biotônico Fontoura, lista telefônica e outras ricas fontes de cultura. Mas não esqueça dos 1024 livros.E quais são os 1024 livros que se deve ler? Bem, escolhe-los é uma das melhores partes da missão. Eu, particularmente, incluiria uns 100 títulos de autores brasileiros e o restante de autores do mundo afora. A maioria dos livros, creio eu, seria de literatura, mas reservaria espaço para a Filosofia, Sociologia e outras áreas igualmente importantes.Não esqueça de pelo menos fazer a sua lista de 1024 livros. Depois, é só começar a ler pelos próximos 50 anos.
A minha lista pessoal está no endereço a seguir: a lista.
A minha lista pessoal está no endereço a seguir: a lista.
Expressões lamentáveis
Um grupo de escritores e linguistas alemães elegeram a expressão capital humano como a mais infeliz de 2004. Anualmente eles escolhem expressões que se destacam pelo equívoco, preconceito, mau gosto, enfim, pela mais completa falta de qualidades. Estava cá pensando em algumas expressões que poderiam concorrer ao prêmio. Vieram à minha cabeça as seguintes:
Afro-descendente.
Colaborador (para designar funcionário).
Discutir a relação.
Flexibilização de preços (para indicar aumento de preços).
Guerra santa.
Mundo livre.
Pessoa humana.
Realidade virtual.
Recursos humanos.
República popular.
Afro-descendente.
Colaborador (para designar funcionário).
Discutir a relação.
Flexibilização de preços (para indicar aumento de preços).
Guerra santa.
Mundo livre.
Pessoa humana.
Realidade virtual.
Recursos humanos.
República popular.
Patrimônio histórico verbal
Aqui em Curitiba, onde moro, tínhamos um parque de exposições do governo estadual chamado Parque Catello Branco. Esses dias me disseram que o parque mudou de nome. Nem gravei o novo nome, pois sinceramente desconheço a personalidade que foi honrada com a mudança. Mas o que eu quero questionar é o seguinte: É correto mudar o nome dos locais públicos, sejam ruas, museus, parques ao sabor do gosto da facção política dominante? Creio que não. Não vou discutir aqui os méritos do falecido presidente Castello Branco. Tá certo que foi um dos líderes de um golpe militar de funesta lembrança. Mas o fato é que ele foi presidente do Brasil e em alguma época de nossa história resolveram que ele merecia ser homenageado com o nome do parque aqui em Curitiba. Isso é História e História é para ser respeitada. Imagine se saíssemos revisando todos os nomes dos logradouros a cada vez que mudam os ventos ideológicos nos gabinetes. Com o Getúlio Vargas seria um tal de tira e põe o nome do velhinho na avenida. Daria para cantar a marchinha com nova letra: Bota o nome do velho, bota no mesmo mesmo lugar. O nome do velhinho faz a gente trabalhar.
Calendário Manossiano
Fim de ano chegando. Hora de planejar o ano seguinte. Pensando nisso, lanço aqui a minha proposta de alteração do sistema de calendário. As mudanças são basicamente as seguintes:
- O ano passa a ter 364 dias mais o dia zero.
- O ano passa a ter 13 meses com 28 dias cada um e quatro semanas de sete dias.
- O primeiro dia do mês cai sempre na segunda-feira e o último, no domingo.
- O dia zero não pertence a nenhum mês e a nenhuma semana. É um dia fora do calendário e acontece após o 28o. dia do 13o. mês.
- O dia zero será um feriado mundial que celebra a renovação do ano e a fraternidade universal.
- A cada quatro anos, teremos um ano com dois dias fora de calendário: o dia zero e o dia zero zero.
- Será realizado um concurso em cada país que adotar o calendário manossiano para a escolha dos novos nomes dos dias do mês e dos dias da semana. Em um país cristão, por exemplo, o nome dos meses pode ser o dos apóstolos. O 13o. mês seria o mês de Jesus. É claro que o mês de Judas pode não pegar bem, mas este pode ser subtituído por Paulo de Tarso, por exemplo.
A vantagem do calendário manossiano é sua regularidade. Os meses têm sempre a mesma duração, Nâo há semanas que começem em um mês e terminam em outro. As pessoas sabem que o dia 8 sempre cai na segunda-feira, que o dia 27 sempre cai no sábado, etc.Alguns problemas surgem. Por exemplo: talvez seja preciso recuperar o 13o. signo do zodíaco que se perdeu com as mudanças do calendário.
Planejamento plurianual de marketing
Fazer um book de fotos.
Fazer desfiles e comerciais.
Fazer bons contatos.
Namorar um esportista famoso.
Desmanchar o namoro.Conceder entrevistas contando tudo sobre o namoro.
Aparecer em festas e eventos escolhidos cuidadosamente.
Posar nua para a Playboy.
Aparecer em talk shows e programas de auditório.
Namorar a sério um homem muito rico.
Casar com o homem muito rico em uma festa de arromba.
Publicar as fotos da lua de mel na revista Caras.
Conceder entrevistas contando como está feliz.
Abrir o apartamento de cobertura para a revista Caras.
Plantar rumores de desentendimento entre o casal.
Separar-se do homem muito rico.
Viajar para a Suiça tentando esquecer a separação.
Assinar contrato com uma emissora para estrelar programa de TV.
Namorar homens variados da moda.
Criar factóides diversos de manutenção.
Fazer desfiles e comerciais.
Fazer bons contatos.
Namorar um esportista famoso.
Desmanchar o namoro.Conceder entrevistas contando tudo sobre o namoro.
Aparecer em festas e eventos escolhidos cuidadosamente.
Posar nua para a Playboy.
Aparecer em talk shows e programas de auditório.
Namorar a sério um homem muito rico.
Casar com o homem muito rico em uma festa de arromba.
Publicar as fotos da lua de mel na revista Caras.
Conceder entrevistas contando como está feliz.
Abrir o apartamento de cobertura para a revista Caras.
Plantar rumores de desentendimento entre o casal.
Separar-se do homem muito rico.
Viajar para a Suiça tentando esquecer a separação.
Assinar contrato com uma emissora para estrelar programa de TV.
Namorar homens variados da moda.
Criar factóides diversos de manutenção.
Teste para poetas
Você se considera poeta? Coletei em várias entrevistas com poetas que li ultimamente algumas perguntas típicas que são feitas a um escritor. Faça de conta que o entrevistado é você e veja se teria respostas consistentes a dar.
- Quando você começou a se interessar por Literatura?
- Quem são os melhores poetas do Brasil no momento e em todos os tempos?
- O que é poesia?
- Existe poesia sem poema ou poema sem poesia?
- Qual a diferença entre poesia e prosa?
- Letra de música é poesia?
- Quais são as suas influências literárias e não literárias?
- Você se considera pós moderno?
- O que você acha de concretismo, modernismo, poesia participante, poesia maldita, poesia marginal e poesia para computador?
- Você acredita em inspiração?
- Que importância você dá à técnica, à formação cultural, à experiência de vida, ao domínio do idioma no fazer poético?
- Poeta deveria se profissionalizar?
- O mercado editorial maltrata o poeta?
- Você usa ou usaria mídias alternativas para divulgar sua poesia?
- O que a Internet vai trazer de bom e de ruim para a poesia?
- O que deveria ser feito para melhorar a divulgação da poesia no Brasil?
- Os meios de comunicação de massa contribuem para a divulgação da poesia?
- Quais os temas dominantes no seu trabalho?
- Se você ganhasse um crítico de presente, o que faria com ele?
- Você se alinha a alguma corrente estética?
- Poesia pode ser popular?
- Quais são os seus planos literários para o futuro?
- Poesia pode mudar o mundo?
- A Poesia tem futuro?
- Qual o papel do escritor na sociedade?
- Que conselho você daria a um jovem poeta iniciante?
Fins e meios
Beslan, 03 de setembro de 2004.
Vejo as fotos do massacre de Beslan e, inevitavelmente, penso em meus filhos de 12 e 7 anos, que continuam indo às aulas, que foram a uma festa na escola nesta semana. Os fins justificam os meios? Existe causa desesperada nesse mundo que justifique explodir crianças, que explique porque crianças em fuga foram baleadas pelas costas? Na imprensa, é preciso tomar cuidado com a forma de se referir às pessoas que participam de ações violentas, supostamente político-militares. Em alguns casos, usa-se o termo terroristas, em outros, guerrilheiros, combatentes, militantes. Para os participantes do massacre de Beslan, a única palavra que se encaixa é assassinos.
Vejo as fotos do massacre de Beslan e, inevitavelmente, penso em meus filhos de 12 e 7 anos, que continuam indo às aulas, que foram a uma festa na escola nesta semana. Os fins justificam os meios? Existe causa desesperada nesse mundo que justifique explodir crianças, que explique porque crianças em fuga foram baleadas pelas costas? Na imprensa, é preciso tomar cuidado com a forma de se referir às pessoas que participam de ações violentas, supostamente político-militares. Em alguns casos, usa-se o termo terroristas, em outros, guerrilheiros, combatentes, militantes. Para os participantes do massacre de Beslan, a única palavra que se encaixa é assassinos.
Bresson
Minha homenagem ao mestre.
Bresson
(1908 - 2004)
Henry Cartier Bresson,
grande ladrão de instantes,
fotografava com os olhos,
dos quais, sua Leica
era a extensão natural.
Como o ponta de lança
que na confusão do lance
à boca do gol
encontra a fenda
para o fundo da rede,
Bresson, no meio da rua,
aguardava o momento puro
de fisgar a poesia em movimento.
Mas depois do disparo
não foi gente, momento ou rua
que ficou no fundo da objetiva.
A mágica composição de elementos
não resistiu ao olho da Leica.
No ato mesmo do disparo
o instante já estava perdido.
Restou cor, sombra e luz.
Ficou arte, que não é o instante
e nem o retém.
A foto é um fato novo no mundo,
um objeto distante de tudo que evoca.
Uma foto de Bresson
é o milagre da arte
que reconstrói o momento,
que sonha paralisar
a lágrima na sua queda,
pois, a vida é instante,
movimento, queda.
Bresson
(1908 - 2004)
Henry Cartier Bresson,
grande ladrão de instantes,
fotografava com os olhos,
dos quais, sua Leica
era a extensão natural.
Como o ponta de lança
que na confusão do lance
à boca do gol
encontra a fenda
para o fundo da rede,
Bresson, no meio da rua,
aguardava o momento puro
de fisgar a poesia em movimento.
Mas depois do disparo
não foi gente, momento ou rua
que ficou no fundo da objetiva.
A mágica composição de elementos
não resistiu ao olho da Leica.
No ato mesmo do disparo
o instante já estava perdido.
Restou cor, sombra e luz.
Ficou arte, que não é o instante
e nem o retém.
A foto é um fato novo no mundo,
um objeto distante de tudo que evoca.
Uma foto de Bresson
é o milagre da arte
que reconstrói o momento,
que sonha paralisar
a lágrima na sua queda,
pois, a vida é instante,
movimento, queda.
Men in Black e os cucarachas
Esses tempos de terrorismo globalizado em que vivemos me faz lembrar do filme Homens de Preto. Não sei se sou o único a implicar com os filmes da série embora tenha me divertido bastante com eles. Mas é impossível não fazer algumas perguntas depois de assisti-los: por que o perigoso inimigo alienígena que quer dominar o planeta é justamente uma barata gigante? Por que os aliens estão sempre disseminados na sociedade americana e envolvidos em atividades prosaicas e insuspeitas? Por que alguns aliens são do bem e outros são do mal? Por que alguns são úteis e outros devem ser banidos do planeta? Por que a tarefa de livrar o planeta da escória do universo cabe a alguns poucos iluminados que vestem preto? Por que a tarefa de proteger o planeta cabe a tão poucos que carregam tão pesado fardo? Inevitavelmente, penso nos aliens como inimigos da sociedade americana que querem se infiltrar naquele magnífico status quo para corrompe-lo. Ora, cucaracha é a forma como se trata pejorativamente os hispanos que ocupam atividades de pouco prestígio na sociedade americana. Por extensão, seriam cucarchas também os demais imigrantes ilegais e outras formas alienigenas que ameaçam a América. Os filmes de ficção bem sucedidos exploram os medos coletivos da sociedade. Como se vê, os americanos temem aliens, cucarachas, ou qualquer ameaça que venha de fora de suas seguras fronteiras.
A Grã Virtual Confraria Secreta
Há pouco tempo a Internet nos brindou com mais um interessante fenômeno sociológico: os clubes privês digitais. O mais famoso deles no momento é o Orkut. Orkut nada mais é do que uma comunidade virtal em que, para se filiar, é preciso ser convidado por um membro. Até aí, nenhuma novidade. Os grupos de discussão da web, há tempos já funcionam dessa maneira. A novidade do Orkut é que seu objetivo subliminar é funcionar como uma vitrine de vaidades. Aparentemente não existe um interesse comum aos participantes de Orkut a não ser o de participar da comunidade e com isso gozar de um status privilegiado entre seus pares. Seria uma versão virtual das estruturas sociais de ostentação e afirmação de status, como o são os clubes seletos que impõem restrições aos que querem deles participar?
Bem, com essa introdução sobre o Orkut eu só queria criar um gancho para a minha proposta: a das confrarias virtuais secretas. Estou pensando seriamente em fundar uma. Só não posso dar muitos detalhes sobre ela porque é secreta. Mas posso adiantar que dela podem participar pessoas de boa índole, dispostas a batalhar por uma causa nobre.
Bem, com essa introdução sobre o Orkut eu só queria criar um gancho para a minha proposta: a das confrarias virtuais secretas. Estou pensando seriamente em fundar uma. Só não posso dar muitos detalhes sobre ela porque é secreta. Mas posso adiantar que dela podem participar pessoas de boa índole, dispostas a batalhar por uma causa nobre.
Oráculo de Google
Gostaria de saber qual é a farmácia próxima que vende pelo melhor preço o meu remédio para pressão a esta hora da madrugada.
Para responder a essa pergunta, Google precisa saber algumas coisas como: quem você é, onde você mora e quais são as farmácias da sua região. Além disso, as farmácias precisam ter sites na Internet e manter um banco de dados com seus produtos e preços disponíveis. Google também precisa saber qual é o remédio que você toma para pressão e se a farmácia com o melhor preço está aberta à hora da consulta. Para finalizar, Google deve ser capaz de interpretar linguagem natural em português. E você, incrédulo internauta, ainda duvida que Google possa responder a uma pergunta como essa num futuro não muito distante?
Bem, então saiba que a mesma tecnologia que permite saber qual é o seu remédio para pressão, possibilita a Google conhecer seus hábitos de consumo, suas músicas favoritas, suas taras sexuais ou uma eventual falcatrua em que você esteja envolvido. Tudo isso, meu caro porque Google vê, Google sabe, Google pode.
Para responder a essa pergunta, Google precisa saber algumas coisas como: quem você é, onde você mora e quais são as farmácias da sua região. Além disso, as farmácias precisam ter sites na Internet e manter um banco de dados com seus produtos e preços disponíveis. Google também precisa saber qual é o remédio que você toma para pressão e se a farmácia com o melhor preço está aberta à hora da consulta. Para finalizar, Google deve ser capaz de interpretar linguagem natural em português. E você, incrédulo internauta, ainda duvida que Google possa responder a uma pergunta como essa num futuro não muito distante?
Bem, então saiba que a mesma tecnologia que permite saber qual é o seu remédio para pressão, possibilita a Google conhecer seus hábitos de consumo, suas músicas favoritas, suas taras sexuais ou uma eventual falcatrua em que você esteja envolvido. Tudo isso, meu caro porque Google vê, Google sabe, Google pode.
O homem do leite
Esses dias meu filho atendeu a porta e disse:
- Pai, é o homem do leite.
Realmente, minha mulher havia acertado com o homem do leite para entregar o leite diariamente em casa. Só mais tarde me toquei que meu filho não conhece a palavra leiteiro. Nem podia ser diferente, afinal, os leiteiros praticamente desapareceram do cenário urbano, exceto, por um ou outro caso isolado como o do homem do leite que entrega leite industrializado lá em casa. Provavelmente meus filhos não conhecem também palavras como alfaiate, ferreiro, seleiro. Moleiro então, nem se fala. O curioso é que o avô deles foi alfaiate e o bisavô, moleiro. Realmente, a língua é um ser vivo, como uma árvore em que galhos brotam e galhos secam. Tudo bem, afinal ainda não consegui explicar ao meu pai o significado de minha ocupação atual: produtor web.
- Pai, é o homem do leite.
Realmente, minha mulher havia acertado com o homem do leite para entregar o leite diariamente em casa. Só mais tarde me toquei que meu filho não conhece a palavra leiteiro. Nem podia ser diferente, afinal, os leiteiros praticamente desapareceram do cenário urbano, exceto, por um ou outro caso isolado como o do homem do leite que entrega leite industrializado lá em casa. Provavelmente meus filhos não conhecem também palavras como alfaiate, ferreiro, seleiro. Moleiro então, nem se fala. O curioso é que o avô deles foi alfaiate e o bisavô, moleiro. Realmente, a língua é um ser vivo, como uma árvore em que galhos brotam e galhos secam. Tudo bem, afinal ainda não consegui explicar ao meu pai o significado de minha ocupação atual: produtor web.
O Grande Irmão Google
Google vê. Google sabe. Google pode.
Recentemente, o Google colocou o ar em fase beta seu novo e revolucionário serviço de e-mail. Isso indica que o Senhor da Informação agora se movimenta com apetite e voracidade na direção de outro ramo do controle da informação.É engraçado como eu só encontro pela frente entusiastas do Google. Toda vez que ouso lançar uma crítica às qualidades do Google, sou apedrejado com argumentos de que o Google é maravilhoso, realmente eficiente, fantástico. Essa unanimidade em relação ao Grande Irmão é preocupante. Estranho porque os elogios rasgados ao Grande Irmão partem inclusive de pessoas muito críticas com relação a outras coisas como política, educação, cultura, etc.Não contesto a qualidade do Google em prestar serviços rápidos e eficientes aos usuários. Mas como sou usuário de mão dupla do Google já me defrontei com algumas inconsistências que me perturbam. Usuário de mão dupla porque além de buscar endereços no Google, eu sou buscado por ele. Tenho sites na Internet e sempre me pergunto que critérios o Google usa para me rankear. Sinceramente, eu acho que um serviço hegemônico como o Google deveria deixar bem claro às pessoas que critérios utiliza para colocar um site no topo, na frente de outros 10.000. A conclusão a que cheguei é que o Google mostra o que ele mesmo acha que deve ser mostrado.
Pense diferente. Use ao menos três sites de busca com propostas diferentes.
Recentemente, o Google colocou o ar em fase beta seu novo e revolucionário serviço de e-mail. Isso indica que o Senhor da Informação agora se movimenta com apetite e voracidade na direção de outro ramo do controle da informação.É engraçado como eu só encontro pela frente entusiastas do Google. Toda vez que ouso lançar uma crítica às qualidades do Google, sou apedrejado com argumentos de que o Google é maravilhoso, realmente eficiente, fantástico. Essa unanimidade em relação ao Grande Irmão é preocupante. Estranho porque os elogios rasgados ao Grande Irmão partem inclusive de pessoas muito críticas com relação a outras coisas como política, educação, cultura, etc.Não contesto a qualidade do Google em prestar serviços rápidos e eficientes aos usuários. Mas como sou usuário de mão dupla do Google já me defrontei com algumas inconsistências que me perturbam. Usuário de mão dupla porque além de buscar endereços no Google, eu sou buscado por ele. Tenho sites na Internet e sempre me pergunto que critérios o Google usa para me rankear. Sinceramente, eu acho que um serviço hegemônico como o Google deveria deixar bem claro às pessoas que critérios utiliza para colocar um site no topo, na frente de outros 10.000. A conclusão a que cheguei é que o Google mostra o que ele mesmo acha que deve ser mostrado.
Pense diferente. Use ao menos três sites de busca com propostas diferentes.
Leitor de dicionário
Há várias formas de se melhorar o conhecimento da língua. Pode-se ler a lista telefônica, classificados de jornal ou banheiro de rodoviária. Mas o dicionário é uma fonte deliciosa de informação sobre a cultura popular. Meus verbetes favoritos do Aurélio são estes:
Cachaça
[De or. controvertida.] S. f. Bras. 1. Aguardente que se obtém mediante a fermentação e destilação do mel1 (4), ou borras do melaço. [Sin. (pop. ou de gír., e bras. na maioria, muitos deles regionais): abre, abrideira, aca, aço, a-do-ó, água-benta, água-bruta, água-de-briga, água-de-cana, água-que-gato-não-bebe, água-que-passarinho-não-bebe, aguardente, aguardente de cana, aguarrás, águas-de-setembro, alpista, aninha, arrebenta-peito, assovio-de-cobra, azougue, azuladinha, azulzinha, bagaceira, baronesa, bicha, bico, birita, boa, borbulhante, boresca, branca, branquinha, brasa, brasileira, caiana, calibrina, cambraia, cana, cândida, canguara, canha, caninha, canjebrina, canjica, capote-de-pobre, catuta, caxaramba, caxiri, caxirim, cobreira, corta-bainha, cotréia, cumbe, cumulaia, danada, delas-frias, dengosa, desmancha-samba, dindinha, dona-branca, ela, elixir, engasga-gato, espírito, esquenta-por-dentro, filha-de-senhor-de-engenho, fruta, gás, girgolina, goró, gororoba, gramática, guampa, homeopatia, imaculada, já-começa, januária, jeribita ou jurubita, jinjibirra, junça, jura, legume, limpa, lindinha, lisa, maçangana, malunga, malvada, mamãe-de-aluana ou mamãe-de-aruana, mamãe-de-luana, mamãe-de-luanda, mamãe-sacode, mandureba ou mundureba, marafo, maria-branca, mata-bicho, meu-consolo, minduba, miscorete, moça-branca, monjopina, montuava, morrão, morretiana, não-sei-quê, óleo, orotanje, otim, panete, parati, patrícia, perigosa, pevide, pilóia, pinga, piribita, prego, porongo, pura, purinha, quebra-goela, quebra-munheca, rama, remédio, restilo, retrós, roxo-forte, samba, sete-virtudes, sinhaninha, sinhazinha, sipia, siúba, sumo-da-cana, suor-de-alambique, supupara, tafiá, teimosa, terebintina, tira-teima, tiúba, tome-juízo, três-martelos, uca, veneno, xinapre, zuninga.] 2. P. ext. Pop. Qualquer bebida alcoólica. [M. us. no pl.] 3. Dose (3) de cachaça. 4. Bras. Espuma grossa que, na primeira fervura, se tira do suco da cana na caldeira. 5. Fig. Paixão, inclinação, gosto (por pessoa ou coisa): Tem uma cachaça pela pequena!; O cinema é a sua cachaça. ¿ S. m. 6. Bras. V. ébrio (8). Cachaça da cabeça. 1. Bras. Aguardente da cabeça.
Caipira
[De or. controvertida; tupi, poss.] S. 2 g. 1. Bras. S. Habitante do campo ou da roça, particularmente os de pouca instrução e de convívio e modos rústicos e canhestros. [Sin., sendo alguns regionais: araruama, babaquara, babeco, baiano, baiquara, beira-corgo, beiradeiro, biriba ou biriva, botocudo, brocoió, bruaqueiro, caapora, caboclo, caburé, cafumango, caiçara, cambembe, camisão, canguaí, canguçu, capa-bode, capiau, capicongo, capuava, capurreiro, cariazal, casaca, casacudo, casca-grossa, catatuá, catimbó, catrumano, chapadeiro, curau, curumba, groteiro, guasca, jeca, jacu, macaqueiro, mambira, mandi ou mandim, mandioqueiro, mano-juca, maratimba, mateiro, matuto, mixanga, mixuango ou muxuango, mocorongo, moqueta, mucufo, pé-duro, pé-no-chão, pioca, piraguara, piraquara, queijeiro, restingueiro, roceiro, saquarema, sertanejo, sitiano, tabaréu, tapiocano, urumbeba ou urumbeva.] ¿ S. m. 2. Bras. N.E. Jogo de parada, com um dado apenas, ou roleta, entre gente de condição humilde. ¿ Adj. 2 g. 3. Bras. Diz-se do caipira (1); biriba ou biriva, matuto, sertanejo. 4. Bras. Pertencente ou relativo a, ou próprio de caipira (1); biriba ou biriva, jeca, matuto, roceiro, sertanejo. 5. Bras. Diz-se do indivíduo sem traquejo social; cafona, casca-grossa. 6. Bras. Diz-se das festas juninas e do traje típico usado nessas festas. [Cf. (nas acepç. 1, 3, 4 e 5) provinciano.]
Morrer
[Do lat. vulg. morrere, por mori.] V. int. 1. Perder a vida; exalar o último suspiro; falecer, finar-se, expirar, fazer ablativo de viagem, perecer: “Minha mãe de saudades morreria / Se eu morresse amanhã.” (Álvares de Azevedo, Obras Completas, I, p. 326.) [Sin., muitos deles bras., pop. ou de gíria: abotoar, abotoar o paletó, adormecer no Senhor, apagar, apitar, assentar o cabelo, bafuntar, bater a alcatra na terra ingrata, bater a(s) bota(s), bater a caçoleta, bater a canastra, bater a pacuera, bater com a cola na cerca, bater o pacau, bater o prego, bater o trinta-e-um, bater o trinta-e-um-de-roda, botar o bloco na rua, comer capim pela raiz, dar a alma a Deus, dar a alma ao Criador, dar à casca, dar à espinha, dar a lonca, dar a ossada, dar com o rabo na cerca, dar o couro às varas, dar o último alento, defuntar, desaparecer, descansar, descer à cova, descer à terra, descer ao túmulo, desencarnar, desinfetar o beco, desocupar o beco, desviver, dizer adeus ao mundo, embarcar, embarcar deste mundo para um melhor, empacotar, entregar a alma a Deus, entregar a alma ao Diabo, entregar a rapadura, espichar, espichar a canela, esticar, esticar a canela, esticar o cambito, esticar o pernil, estuporar(-se), expirar, fazer ablativo de partida, fazer ablativo de viagem, fazer passagem, fechar o paletó, fechar os olhos, fenecer, finar(-se), fincar as aspas no inferno, ir para a Cacuia, ir para a cidade dos pés juntos, ir para a Cucuia, ir para bom lugar, ir para o Acre, ir para o beleléu, ir para o outro mundo, ir(-se), ir(-se) desta para melhor, largar a casca, passar, passar desta para melhor, passar desta para melhor vida, pifar, pitar macaia, quebrar a tira, render a alma ao Criador, render o espírito, vestir o paletó de madeira, vestir o pijama de madeira, virar presunto.] 2. Extinguir-se, acabar(-se), findar: “A tarde morre tranqüilamente: / Na freguesia soam trindades” (Conde de Monsaraz, Musa Alentejana, p. 17) 3. Afrouxar gradualmente; desaparecer: A luz morria no horizonte; “Ontem à tarde quando o Sol morria, / A natureza era um poema santo” (Castro Alves, Obras Escolhidas, p. 97) 4. Perder (a planta) a cor e o vigor; estiolar-se. 5. Ficar suspenso; interromper-se: O grito morreu na garganta. 6. Ficar no esquecimento; perder a eficácia: As palavras dos grandes filósofos nunca morrem. 7. Terminar, acabar, findar. 8. Perder o movimento. 9. Perder o brilho; tornar-se menos vivo: A luz do lampadário entrou a morrer. 10. Bras. Autom. Parar de funcionar: De repente o automóvel morreu. T. c. 11. Acabar, terminar, chegar: A estrada morria na montanha. 12. Lançar suas águas; desaguar: O rio morre no oceano. T. i. 13. Experimentar em grau muito intenso (sentimento, sensação, desejo, etc.): morrer de amor, de tristeza, de inveja. 14. Ter grande afeição, grande amor, a: morrer pela namorada. 15. Desejar, querer ardentemente: Morria por saber o segredo da amada. 16. Bras. Gír. Satisfazer uma dívida; pagar: morrer na conta. Pred. 17. Achar-se (em determinado estado ou condição) no fim da vida: “Victor Hugo, o maior lírico da idade moderna, morreu riquíssimo.” (Olavo Bilac, Conferências Literárias, p. 258.) T. d. 18. Experimentar, sofrer: “Não poderá arrumar a sua morte. Morrerá uma morte qualquer” (Gustavo Corção, Lições de Abismo, p. 172) P. 19. V. morrer (1): “E vim a meditar em quem me cercaria, / Depois de eu me morrer, as pálpebras já frouxas.” (Cesário Verde, Obra Completa, p. 59.) 20. Padecer ou sofrer, desejando intensamente; finar-se: “o simpático alferes Carlos Magno, que era um padecente pelo belo sexo, morria-se por elas” (Virgílio Várzea, Nas Ondas, p. 148); “Sempre, sempre que te escuto / De um teu crime a confissão, / Entre vida e morte luto, / Suo, gelo, em dor me enluto, / Morro-me, perco a razão.” (Antônio Feliciano de Castilho, Os Amores, III, p. 90) [Part.: morrido e morto.] ¿ S. m. 21. Morte (1). Morrer de rir. 1. Rir às bandeiras despregadas; gargalhar. Morrer na praia. Pop. 1. Fracassar na etapa final de atividade, empreendimento, etc. Lindo de morrer. Bras. Gír. 1. Muitíssimo bonito; extraordinariamente lindo.
Cachaça
[De or. controvertida.] S. f. Bras. 1. Aguardente que se obtém mediante a fermentação e destilação do mel1 (4), ou borras do melaço. [Sin. (pop. ou de gír., e bras. na maioria, muitos deles regionais): abre, abrideira, aca, aço, a-do-ó, água-benta, água-bruta, água-de-briga, água-de-cana, água-que-gato-não-bebe, água-que-passarinho-não-bebe, aguardente, aguardente de cana, aguarrás, águas-de-setembro, alpista, aninha, arrebenta-peito, assovio-de-cobra, azougue, azuladinha, azulzinha, bagaceira, baronesa, bicha, bico, birita, boa, borbulhante, boresca, branca, branquinha, brasa, brasileira, caiana, calibrina, cambraia, cana, cândida, canguara, canha, caninha, canjebrina, canjica, capote-de-pobre, catuta, caxaramba, caxiri, caxirim, cobreira, corta-bainha, cotréia, cumbe, cumulaia, danada, delas-frias, dengosa, desmancha-samba, dindinha, dona-branca, ela, elixir, engasga-gato, espírito, esquenta-por-dentro, filha-de-senhor-de-engenho, fruta, gás, girgolina, goró, gororoba, gramática, guampa, homeopatia, imaculada, já-começa, januária, jeribita ou jurubita, jinjibirra, junça, jura, legume, limpa, lindinha, lisa, maçangana, malunga, malvada, mamãe-de-aluana ou mamãe-de-aruana, mamãe-de-luana, mamãe-de-luanda, mamãe-sacode, mandureba ou mundureba, marafo, maria-branca, mata-bicho, meu-consolo, minduba, miscorete, moça-branca, monjopina, montuava, morrão, morretiana, não-sei-quê, óleo, orotanje, otim, panete, parati, patrícia, perigosa, pevide, pilóia, pinga, piribita, prego, porongo, pura, purinha, quebra-goela, quebra-munheca, rama, remédio, restilo, retrós, roxo-forte, samba, sete-virtudes, sinhaninha, sinhazinha, sipia, siúba, sumo-da-cana, suor-de-alambique, supupara, tafiá, teimosa, terebintina, tira-teima, tiúba, tome-juízo, três-martelos, uca, veneno, xinapre, zuninga.] 2. P. ext. Pop. Qualquer bebida alcoólica. [M. us. no pl.] 3. Dose (3) de cachaça. 4. Bras. Espuma grossa que, na primeira fervura, se tira do suco da cana na caldeira. 5. Fig. Paixão, inclinação, gosto (por pessoa ou coisa): Tem uma cachaça pela pequena!; O cinema é a sua cachaça. ¿ S. m. 6. Bras. V. ébrio (8). Cachaça da cabeça. 1. Bras. Aguardente da cabeça.
Caipira
[De or. controvertida; tupi, poss.] S. 2 g. 1. Bras. S. Habitante do campo ou da roça, particularmente os de pouca instrução e de convívio e modos rústicos e canhestros. [Sin., sendo alguns regionais: araruama, babaquara, babeco, baiano, baiquara, beira-corgo, beiradeiro, biriba ou biriva, botocudo, brocoió, bruaqueiro, caapora, caboclo, caburé, cafumango, caiçara, cambembe, camisão, canguaí, canguçu, capa-bode, capiau, capicongo, capuava, capurreiro, cariazal, casaca, casacudo, casca-grossa, catatuá, catimbó, catrumano, chapadeiro, curau, curumba, groteiro, guasca, jeca, jacu, macaqueiro, mambira, mandi ou mandim, mandioqueiro, mano-juca, maratimba, mateiro, matuto, mixanga, mixuango ou muxuango, mocorongo, moqueta, mucufo, pé-duro, pé-no-chão, pioca, piraguara, piraquara, queijeiro, restingueiro, roceiro, saquarema, sertanejo, sitiano, tabaréu, tapiocano, urumbeba ou urumbeva.] ¿ S. m. 2. Bras. N.E. Jogo de parada, com um dado apenas, ou roleta, entre gente de condição humilde. ¿ Adj. 2 g. 3. Bras. Diz-se do caipira (1); biriba ou biriva, matuto, sertanejo. 4. Bras. Pertencente ou relativo a, ou próprio de caipira (1); biriba ou biriva, jeca, matuto, roceiro, sertanejo. 5. Bras. Diz-se do indivíduo sem traquejo social; cafona, casca-grossa. 6. Bras. Diz-se das festas juninas e do traje típico usado nessas festas. [Cf. (nas acepç. 1, 3, 4 e 5) provinciano.]
Morrer
[Do lat. vulg. morrere, por mori.] V. int. 1. Perder a vida; exalar o último suspiro; falecer, finar-se, expirar, fazer ablativo de viagem, perecer: “Minha mãe de saudades morreria / Se eu morresse amanhã.” (Álvares de Azevedo, Obras Completas, I, p. 326.) [Sin., muitos deles bras., pop. ou de gíria: abotoar, abotoar o paletó, adormecer no Senhor, apagar, apitar, assentar o cabelo, bafuntar, bater a alcatra na terra ingrata, bater a(s) bota(s), bater a caçoleta, bater a canastra, bater a pacuera, bater com a cola na cerca, bater o pacau, bater o prego, bater o trinta-e-um, bater o trinta-e-um-de-roda, botar o bloco na rua, comer capim pela raiz, dar a alma a Deus, dar a alma ao Criador, dar à casca, dar à espinha, dar a lonca, dar a ossada, dar com o rabo na cerca, dar o couro às varas, dar o último alento, defuntar, desaparecer, descansar, descer à cova, descer à terra, descer ao túmulo, desencarnar, desinfetar o beco, desocupar o beco, desviver, dizer adeus ao mundo, embarcar, embarcar deste mundo para um melhor, empacotar, entregar a alma a Deus, entregar a alma ao Diabo, entregar a rapadura, espichar, espichar a canela, esticar, esticar a canela, esticar o cambito, esticar o pernil, estuporar(-se), expirar, fazer ablativo de partida, fazer ablativo de viagem, fazer passagem, fechar o paletó, fechar os olhos, fenecer, finar(-se), fincar as aspas no inferno, ir para a Cacuia, ir para a cidade dos pés juntos, ir para a Cucuia, ir para bom lugar, ir para o Acre, ir para o beleléu, ir para o outro mundo, ir(-se), ir(-se) desta para melhor, largar a casca, passar, passar desta para melhor, passar desta para melhor vida, pifar, pitar macaia, quebrar a tira, render a alma ao Criador, render o espírito, vestir o paletó de madeira, vestir o pijama de madeira, virar presunto.] 2. Extinguir-se, acabar(-se), findar: “A tarde morre tranqüilamente: / Na freguesia soam trindades” (Conde de Monsaraz, Musa Alentejana, p. 17) 3. Afrouxar gradualmente; desaparecer: A luz morria no horizonte; “Ontem à tarde quando o Sol morria, / A natureza era um poema santo” (Castro Alves, Obras Escolhidas, p. 97) 4. Perder (a planta) a cor e o vigor; estiolar-se. 5. Ficar suspenso; interromper-se: O grito morreu na garganta. 6. Ficar no esquecimento; perder a eficácia: As palavras dos grandes filósofos nunca morrem. 7. Terminar, acabar, findar. 8. Perder o movimento. 9. Perder o brilho; tornar-se menos vivo: A luz do lampadário entrou a morrer. 10. Bras. Autom. Parar de funcionar: De repente o automóvel morreu. T. c. 11. Acabar, terminar, chegar: A estrada morria na montanha. 12. Lançar suas águas; desaguar: O rio morre no oceano. T. i. 13. Experimentar em grau muito intenso (sentimento, sensação, desejo, etc.): morrer de amor, de tristeza, de inveja. 14. Ter grande afeição, grande amor, a: morrer pela namorada. 15. Desejar, querer ardentemente: Morria por saber o segredo da amada. 16. Bras. Gír. Satisfazer uma dívida; pagar: morrer na conta. Pred. 17. Achar-se (em determinado estado ou condição) no fim da vida: “Victor Hugo, o maior lírico da idade moderna, morreu riquíssimo.” (Olavo Bilac, Conferências Literárias, p. 258.) T. d. 18. Experimentar, sofrer: “Não poderá arrumar a sua morte. Morrerá uma morte qualquer” (Gustavo Corção, Lições de Abismo, p. 172) P. 19. V. morrer (1): “E vim a meditar em quem me cercaria, / Depois de eu me morrer, as pálpebras já frouxas.” (Cesário Verde, Obra Completa, p. 59.) 20. Padecer ou sofrer, desejando intensamente; finar-se: “o simpático alferes Carlos Magno, que era um padecente pelo belo sexo, morria-se por elas” (Virgílio Várzea, Nas Ondas, p. 148); “Sempre, sempre que te escuto / De um teu crime a confissão, / Entre vida e morte luto, / Suo, gelo, em dor me enluto, / Morro-me, perco a razão.” (Antônio Feliciano de Castilho, Os Amores, III, p. 90) [Part.: morrido e morto.] ¿ S. m. 21. Morte (1). Morrer de rir. 1. Rir às bandeiras despregadas; gargalhar. Morrer na praia. Pop. 1. Fracassar na etapa final de atividade, empreendimento, etc. Lindo de morrer. Bras. Gír. 1. Muitíssimo bonito; extraordinariamente lindo.
Gramática do PFL versus gramática do PSTU
Não erre mais!
Gramática Nunca Mais.
As duas frases acima são títulos de livros que versam sobre gramática. O primeiro é de Luiz Antonio Saconi e o segundo de Luiz Carlos de Assis Rocha. Não vou fazer a análise do conteúdo das duas obras, mas apenas de seus títulos, que são primorosos e emblemáticos.
Não erre mais!
Observem que o título começa com um retumbante NÃO. Em seguida, temos o verbo ERRAR no imperativo. A terceira palavra é MAIS, que enfatiza o fato líquido e certo de o leitor já ter errado muito e que já chegou a hora de parar de persistir no erro. Por último, uma exclamação, para garantir que o título seja lido com ênfase digamos militar. Duas conclusões tiro da leitura desse título. A primeira é que seu conteúdo se calca em uma pedagogia do NÃO e a segunda é que nele se faz uma abordagem gramatical focada na idéia de ERRO. Como o título emprega o verbo no imperativo, fica-se com a impressão que o leitor está coagido a não errar mais, que o erro gramatical é um problema muito sério e que quem erra deve se sentir muito culpado por isso.
Gramática Nunca Mais
Percebe-se um trocadilho evidente entre este título e o do livro Tortura Nunca Mais. Admitindo o trocadilho, somos levados a conceber a Gramática como uma modalidade de tortura, ou no mínimo, como algo muito execrável, provavelmente ligado a tempos cinzentos como os da ditadura militar. Aqui temos também uma retumbante negação evidenciada pela palavra NUNCA. Pelo título, intuímos que sua finalidade não é de erigir, mas sim de demolir.
Comentários feitos, podemos usar a análise dos títulos para uma reflexão. É triste admitir, mas os estudos gramaticais estão à mercê de facções extremistas. Nos exemplos acima, temos de um lado a tradicional visão normativa, elitista, punitiva, conservadora, purista, representada pelo Saconi. Do outro lado, a visão anárquica, iconoclasta, focada na negação sistemática de Assis Rocha.
Gramática Nunca Mais.
As duas frases acima são títulos de livros que versam sobre gramática. O primeiro é de Luiz Antonio Saconi e o segundo de Luiz Carlos de Assis Rocha. Não vou fazer a análise do conteúdo das duas obras, mas apenas de seus títulos, que são primorosos e emblemáticos.
Não erre mais!
Observem que o título começa com um retumbante NÃO. Em seguida, temos o verbo ERRAR no imperativo. A terceira palavra é MAIS, que enfatiza o fato líquido e certo de o leitor já ter errado muito e que já chegou a hora de parar de persistir no erro. Por último, uma exclamação, para garantir que o título seja lido com ênfase digamos militar. Duas conclusões tiro da leitura desse título. A primeira é que seu conteúdo se calca em uma pedagogia do NÃO e a segunda é que nele se faz uma abordagem gramatical focada na idéia de ERRO. Como o título emprega o verbo no imperativo, fica-se com a impressão que o leitor está coagido a não errar mais, que o erro gramatical é um problema muito sério e que quem erra deve se sentir muito culpado por isso.
Gramática Nunca Mais
Percebe-se um trocadilho evidente entre este título e o do livro Tortura Nunca Mais. Admitindo o trocadilho, somos levados a conceber a Gramática como uma modalidade de tortura, ou no mínimo, como algo muito execrável, provavelmente ligado a tempos cinzentos como os da ditadura militar. Aqui temos também uma retumbante negação evidenciada pela palavra NUNCA. Pelo título, intuímos que sua finalidade não é de erigir, mas sim de demolir.
Comentários feitos, podemos usar a análise dos títulos para uma reflexão. É triste admitir, mas os estudos gramaticais estão à mercê de facções extremistas. Nos exemplos acima, temos de um lado a tradicional visão normativa, elitista, punitiva, conservadora, purista, representada pelo Saconi. Do outro lado, a visão anárquica, iconoclasta, focada na negação sistemática de Assis Rocha.
O nome das coisas
Nomes invertidos
Na Áustria tem um tal Partido da Liberdade com orientações nazistas. Meu professor de História contava que no Brasil império o Partido Conservador era liberal e o Partido Liberal era conservador. Hoje, temos um partido social democrata no governo que pratica política neo liberal.Um escritor que percebeu estes probleminhas com os nomes foi o George Orwel. No seu romance 1984 ele criou o Ministério da Paz, cuja função era fomentar a guerra. Mas nem só na política os nomes apresentam probleminhas. Quem disse que os naturalistas eram naturais? que o poema concreto é mais concreto que qualquer outro? ou que todos os realistas retratam a realidade?
Nomes novos para coisas velhas
Quando uma coisa está desgastada, ou foi criada pela administração anterior nada melhor que lhe mudar o nome. Se me lembro bem foi o Brizola quem criou primeiro aquelas escolas de tempo integral chamadas de CIEPs (é isso?). Depois veio o Collor com uma idéia semelhante e deu o nome de CAICs. (é isso?). E pelo Brasil afora foram surgindo CAIAQUEs, CIATEs e sei lá mais o quê. Na educação, tínhamos o Colegial que virou Segundo Grau e agora é Ensino Médio. E nas empresas então: empregado, virou funcionário e agora é colaborador. Mas o salário…Nas ciências humanas quantas teorias fazem sucesso só mudando os nomes das noções. Continuo no exemplo da educação. Aluno virou educando. Educação virou processo de ensino-aprendizagem. Professor passou a facilitador.Conclusão: se você não tem nada a dizer mude o nome das coisas já ditas. Pode render até um novo movimento literário.
Nomes politicamente corretos
Entre os que gostam de mudar nomes que estão quietos merece uma atenção especial a turma dos politicamente corretos Lá nos EUA, o negro agora é cidadão afro-americano e bombardeio virou operação de suporte aéreo.Aqui no Brasil não faltam politicamente corretos. Um exemplo literário: Há anos atrás a mulher que fazia poemas era chamada de poetisa. Era normal chamar a Cecília Meireles de poetisa. Mas aí apareceu alguém para achar que a palavra poetisa carrega um não sei quê de machismo. Agora o politicamente correto é chamar a Cecília Meireles de poeta, para que fique bem caracterizado que a poesia independe do sexo do autor. Ninguém chama a Rachel de Queiroz de escritor, a Gal Costa de cantor, ou a Fernanda Montenegro de ator. Mas a Adélia Prado não pode ser chamada de poetisa. Agora ela(e) é poeta. Virou anjo. Mas os anjos têm sexo?
Na Áustria tem um tal Partido da Liberdade com orientações nazistas. Meu professor de História contava que no Brasil império o Partido Conservador era liberal e o Partido Liberal era conservador. Hoje, temos um partido social democrata no governo que pratica política neo liberal.Um escritor que percebeu estes probleminhas com os nomes foi o George Orwel. No seu romance 1984 ele criou o Ministério da Paz, cuja função era fomentar a guerra. Mas nem só na política os nomes apresentam probleminhas. Quem disse que os naturalistas eram naturais? que o poema concreto é mais concreto que qualquer outro? ou que todos os realistas retratam a realidade?
Nomes novos para coisas velhas
Quando uma coisa está desgastada, ou foi criada pela administração anterior nada melhor que lhe mudar o nome. Se me lembro bem foi o Brizola quem criou primeiro aquelas escolas de tempo integral chamadas de CIEPs (é isso?). Depois veio o Collor com uma idéia semelhante e deu o nome de CAICs. (é isso?). E pelo Brasil afora foram surgindo CAIAQUEs, CIATEs e sei lá mais o quê. Na educação, tínhamos o Colegial que virou Segundo Grau e agora é Ensino Médio. E nas empresas então: empregado, virou funcionário e agora é colaborador. Mas o salário…Nas ciências humanas quantas teorias fazem sucesso só mudando os nomes das noções. Continuo no exemplo da educação. Aluno virou educando. Educação virou processo de ensino-aprendizagem. Professor passou a facilitador.Conclusão: se você não tem nada a dizer mude o nome das coisas já ditas. Pode render até um novo movimento literário.
Nomes politicamente corretos
Entre os que gostam de mudar nomes que estão quietos merece uma atenção especial a turma dos politicamente corretos Lá nos EUA, o negro agora é cidadão afro-americano e bombardeio virou operação de suporte aéreo.Aqui no Brasil não faltam politicamente corretos. Um exemplo literário: Há anos atrás a mulher que fazia poemas era chamada de poetisa. Era normal chamar a Cecília Meireles de poetisa. Mas aí apareceu alguém para achar que a palavra poetisa carrega um não sei quê de machismo. Agora o politicamente correto é chamar a Cecília Meireles de poeta, para que fique bem caracterizado que a poesia independe do sexo do autor. Ninguém chama a Rachel de Queiroz de escritor, a Gal Costa de cantor, ou a Fernanda Montenegro de ator. Mas a Adélia Prado não pode ser chamada de poetisa. Agora ela(e) é poeta. Virou anjo. Mas os anjos têm sexo?
A era das mídias
Com que saudade os mais velhos recordam da Era do Rádio: a novela O Direito de Nascer com Paulo Gracindo, as notícias da guerra, as rainhas do rádio. Outros suspiram pelos Anos Dourados de Hollywood que nos deram Cary Grant, Katherine Hepburn, Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Em breve, suspiraremos pela Era da TV aberta. Sim, porque a TV aberta já não é mais aquela. Já vai longe o tempo em que o Jornal Nacional imperava absoluto e o Roberto Marinho era o quarto poder da República. Talvez ainda seja, mas o Ibope insiste em exibir, ano após ano, números em queda para a TV aberta, tanto que é visível o redirecionamento dos interesses das emissoras. Um Ratinho não acontece por acaso. Ele evidencia o interesse da TV aberta pelas camadas C e abaixo, numa TV, que antes se dava ao luxo de só manifestar apreço pela classe média e acima.E que era vem aí? Precisa dizer? Ah, como vamos suspirar lembrando do primeiro mail, do primeiro chat. Nossos netos vão rir quando falarmos que conhecemos a vovó numa sala de bate papo, que a comunicação era via teclado e tudo vivia dando problema: o PC, o provedor, a Embratel. Mas o que é Embratel, provedor e PC? perguntarão.E o que esta conversa sobre mídia tem a ver com Literatura? Mídia significa meio, e ao contrário do que dizia o velho profeta Mc Luan, que o meio é a mensagem, eu acredito que o meio é o meio e a mensagem é a mensagem. Só que a mensagem circula através do meio e é condicionada por ele em maior ou menor grau. Os escritores criam seus trabalhos para uma mídia específica, que foi por séculos o livro. Mas as coisas estão mudando. Em função disso os escritores precisam estar muito ligados na discussão sobre mídias. Não dá para ficar deitado em berço esplêndido pensando que por toda a eternidade a literatura vai ser veiculada em feixes de papel impresso, que quem trata disso é um sujeito chamado editor, que tem uma empresa chamada editora, que repassa os feixes de papel impresso para uma empresa chamada distribuidora que espalha os feixes em locais chamados livrarias e que na livraria aparece um sujeito chamado leitor. A rápida ascensão e queda das mídias dominantes nos mostra que as revoluções aconteciam espaçadas por gerações. Agora estão acontecendo dentro de uma mesma geração. E o escritor terá que ir onde o leitor está. Talvez, em breve, ele não esteja mais lá na livraria.
Lei de Murphy para escritores
- O número de leitores de um livro é inversamente proporcional à sua qualidade.
- O número de leitores de um livro é inversamente proporcional ao seu número de páginas.
- Se há uma remota possibilidade de suas palavras serem mal interpretadas elas serão.
- Se não há a mínima possibilidade de suas palavras serem mal interpretadas elas ainda assim serão.
- Há proporcionalidade direta entre número de palavras difíceis no seu texto e o número de vezes que a orelha da sua mãe esquenta.
- Os opostos se atraem. Quanto melhor o livro, mais chances dele ser resenhado por críticos medíocres.
- O melhor leitor raramente encontra um autor à sua altura, que por sua vez raramente encontra um crítico à sua altura, que por sua vez raramente encontra uma mídia à sua altura, que por sua vez raramente encontra patrocinador à sua altura, que por sua vez está nas alturas.
- As chances de reconhecimento de um autor aumentam exponencialmente com sua morte.
- A glória literária aumenta na exata medida em que diminui a necessidade de glória.
- A atualidade é muito mais freqüente em obras antigas.
- A maioria dos escritores está aquém do seu tempo.
- Há grandes chances do resumo sair maior que o original.
- Há uma tendência dos textos se alongarem na exata proporção da sua falta de assunto.
- A dificuldade de simplificar só é superada pela facilidade de complicar.
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Em nova blog house
Na dúvida, fique com os dois. Este blog é um espelho do blog com mesmo nome que mantenho no WordPress (radamesm.wordpress.com)
Assinar:
Postagens (Atom)