quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Aquela coisa de acessar a Internet
O computador pessoal está se tornando exatamente isso: um meio de acessar a rede. Lentamente as pessoas estão deixando de guardar arquivos debaixo do colchão, digo no computador local para colocar suas coisas no banco, isto é, na grande rede. Vale lembrar que lentamente em Informática é um ritmo mais rápido do que a maioria das pessoas consegue acompanhar. Com essa mudança de práticas, a máquina que usamos para chegar aos dados se torna menos importante. Você acessa suas informações no trabalho, em casa, na escola, na lan house, em um quiosque público, no celular, não importa, seus dados são os mesmos em qualquer lugar, o que muda é apenas a máquina e o lugar a partir de onde você os acessa. Estamos voltando no tempo. Os computadores pessoais podem ficar parecidos com os velhos terminais burros e os servidores de Internet farão o papel dos mainframes do passado. O que muda é que agora a rede tem escala global. Essa mudança traz vantagens e perigos. Como vantagens o usuário ganha mobilidade, não fica dependente da potência da máquina que tem nas mãos e não precisa se preocupar com backup e segurança de dados. As desvantagens são preocupantes embora sejam uma realidade menos palpável para o usuário. As informações ficarão sob os cuidados de um grupo muito reduzido de empresas que operam em escala global. Será que a privacidade do cidadão estará em risco com seus dados espalhados pela rede? E se a conexão cair a casa cai? Acredito que essas preocupações estratégicas não vão tirar o sono dos usuários comuns e daqui a um tempinho as pessoas vão achar muito primitivo guardar arquivos debaixo do colchão, isto é, em um computador perto de você.
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
K, Y, W. A volta dos que não foram
Circulam boatos de que em 2008 vai entrar em vigor no Brasil o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa que vai unificar as ortografias de países lusófonos (que tem o português como língua oficial). Segundo esse acordo, voltam a constar em nosso alfabeto as letras K, Y e W. Como assim? Elas nunca deixaram de fazer parte do nosso alfabeto. Estão lá desde sempre em palavras como kantiano, hardware, darwinismo ou watt. Vamos esclarecer: a expulsão dessas letras de nossa ortografia ocorreu na reforma ortográfica de 1943. Na época, havia a intenção de elimina-las, talvez por algum arroubo nacionalista, mas como nossas reformas são sempre confusas e tímidas, a eliminação foi apenas parcial. Além disso, novas palavras foram chegando em nossa língua, muitas provenientes do inglês, como know-how, por exemplo. Na prática, a expulsão das três letrinhas foi solenemente ignorada, embora em qualquer livro de português esteja escrito que elas não pertencem à nossa língua. Agora, o novo acordo ortográfico anuncia o retorno das três letras enjeitadas, como se isso tivesse algum significado prático. Elas são usadas pelo mundo afora em outros idiomas que adotam o alfabeto latino, estão em todos os teclados e aparecem em todas as publicações que lemos diariamente. Será que um dia as regras ortográficas serão escritas com um mínimo de respeito à realidade e à lógica?
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