sábado, 20 de outubro de 2007

Sou tropa de elite

É irônico, mas o filme Tropa de Elite, que bate duro na corrupção brasileira, fez o maior sucesso nas bancas dos camelôs antes mesmo de seu lançamento no cinema. Estima-se que mais pessoas assistiram ao filme em DVD pirata do que nos cinemas. Eu, que assisti no cinema, estou me sentido na tropa de elite dos espectadores. Não é fácil ser honesto quando o assunto é pirataria. Para assistir a um filme com a família toda (quatro pessoas, sendo duas estudantes) é preciso desembolsar mais de R$ 40,00. Na banca do camelô da esquina, o DVD pirata custa R$ 5,00. O “sistema” cria toda uma máquina de sedução em favor da pirataria. Somente consumidores que passaram por um rigoroso treinamento para endurecer o caráter é que resistem ao assédio da pirataria. É faca na caveira e nada na carteira, mano.


Para ver minha crítica ao filme Tropa de Elite, clique aqui.

domingo, 14 de outubro de 2007

O cofre porquinho e a educação para o desperdício

É chato desmistificar velhas tradições, mas não resisti ao impulso de falar mal dos cofres porquinho. Eles são ícones arraigados no inconsciente coletivo e tidos como poderoso instrumento de educação financeira das crianças. Mas vejam bem: o princípio básico do cofre porquinho é que para pegar o dinheiro que fica lá dentro você tem que quebrar o porquinho. É um bem descartável que não combina com a filosofia do reuso. Quando colocamos moedas no porquinho, nós as tiramos de circulação por um longo período. Se todo mundo usasse cofre porquinho, a Casa da Moeda teria que multiplicar sua produção por dez ou mais. Produzir moedas custa dinheiro, às vezes mais do que o valor impresso nelas. Prefiro ensinar aos meus filhos que pessoas econômicas usam bens reutilizáveis e que moeda foi feita para circular de mão em mão.