
Chris Anderson, editor da revista Wired e autor de A cauda longa, está concluindo sua nova obra: Free. Nesse novo livro ele trata da tendência particularmente forte no mundo digital de oferecer produtos e serviços gratuitamente. Leia um trecho do livro (em inglês).
Bem, não é tudo grátis. Por exemplo: um site de jogos multiplayer dá acesso básico grátis, mas cobra pela conta premium. Ou então: a operadora dá o celular de brinde, mas cobra uma assinatura salgada. A mesma operadora mantém um provedor gratuito de Internet para usuários de conexão discada para que o cliente use mais o telefone. Essa tática não é nova. Chris Anderson cita o exemplo de King Gillette que distribuía aparelhos de barbear gratuitamente, pois o negócio do senhor Gillette era vender lâminas descartáveis. Traficantes de drogas também distribuem seu produto gratuitamente a clientes potenciais pensando numa fidelização futura.
Talvez eu seja o último neo-liberal (do bem, viu?), pois nunca vi com bons olhos as táticas maliciosas da economia free. Elas criam uma distorção em nossas mentes sobre o real valor das coisas. Não acredito em serviços grátis. Sei que pago a conta da TV aberta toda vez que abro uma Coca-Cola e que a escola pública e gratuita é paga com impostos. Mas a cultura da gratuidade faz sucesso na Internet. O Google é amado por legiões porque é free, ao contrário da Microsoft que é vista como Grande Satã porque cobra por licenças de uso. Alguém paga pelos serviços do Google: são os compradores de produtos anunciados pelo AdWords. O ecossistema da Internet está muito vinculado à gratuidade dos serviços e as novas gerações vão ficar viciadas nessa ilusão, assim como a TV aberta se estabeleceu em um modelo de negócio grátis no lado consumidor. Infelizmente, poucos percebem as estratégias marotas da gratuidade. Nem relógio trabalha de graça e a questão é simples: grátis para quem?
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