sábado, 29 de março de 2008

A de anarquia. T de terror


O símbolo usado no filme V de Vingança é um traço nervoso da letra V dentro de um círculo. Basta girar o símbolo para ele ficar parecido como o A de anarquia que foi pichado em tantos muros pelo movimento anarquista. Eu sei que estou atrasado com o meu comentário porque o filme foi lançado em 2006, mas como eu sou apenas um cinéfilo amador posso me conceder algumas liberdades. Uma delas é a de assistir à maioria dos filmes apenas quando eles chegam à locadora. À primeira vista, trata-se de mais versão para as telas de um sucesso das histórias em quadrinhos. Ele apresenta inclusive o clássico problema dos heróis mascarados: ficamos privados das expressões faciais do ator. Eu não gostei do filme, mas isso não é um empecilho para eu reconhecer que é uma obra importante. Por que? Porque traça a visão entusiasmada e fundamentalista de uma parcela significativa da população. Porque faz a glamourização descarada do terror e, infelizmente, há muitas pessoas que acham que o terror é a grande solução para os grandes problemas. É impossível não associar a apoteótica explosão do final do filme à queda das torres gêmeas de Nova York. V de Vingança é o elogio da destruição simbólica, é a legitimação do terror como vingança. T de terror. Mas o que é o terror? Bem, vamos parar por aqui porque o assunto pode ficar filosófico e deprimente.

sábado, 22 de março de 2008

O que minha avó faria nessa hora?

“Filha, tire o frango do freezer e coloque no microondas para descongelar.” Ouvi essa frase de uma mulher que passou por mim na rua falando ao celular. Poucas, densas palavras capazes de desencadear uma longa reflexão, talvez inspirar uma monografia, mas que vão render mesmo é este simplório post. Como de costume, pensei: o que minha avó faria no lugar da mulher? Já que vovó Sofia não tinha sequer telefone fixo teria que recorrer a um recurso antigo, mas infalível: o planejamento. Ela diria à sua filha Helena (minha mãe) na noite anterior: “Filha, amanhã vou sair. Mate uma galinha e limpe para eu fazer quando voltar.” Solução just in time que dispensa o telefone e que nos leva à conclusão número 1: gadgets de alta tecnologia são comodidade e não necessidade. As galinhas da minha avó iam sem escalas do poleiro para a panela, o que nos leva à conclusão número 2: fazer estoque quase sempre é antiecológico. A minha mãe, no seu tempo, agiria diferente. Como D. Helena não acreditava em carne congelada, nem criava galinhas, provavelmente passaria no açougue na véspera e deixaria a galinha na geladeira. Essa solução envolve estoque e energia para manter a carne refrigerada, mas é melhor do que o congela descongela da mulher do celular.
E lá em casa como fazemos? Bem, o tempo escasso me obriga a acreditar em carne congelada, mas aviso que não temos freezer. O congelador da geladeira é suficiente para manter um pequeno estoque de congelados. Se nos faltar alguma coisa, tem um supermercado a poucas quadras de casa. Também não temos microondas, logo planejamento é necessário e temos que lembrar de tirar a carne do congelador no dia anterior. Embora eu seja mais ecológico do que a mulher do celular, perco para minha mãe e ambos perdemos para a minha avó, o que me leva à terceira conclusão: para ser ecológico aja como seus avós.

sábado, 15 de março de 2008

Coffee break com networking

Recentemente, fui a um simpósio em São Paulo e no programa constava o item: cofee break e networking. A maioria deve concordar que o cofee break é uma das partes mais interessantes de todo evento. Primeiro, porque dá um break e depois porque tem coffee, aquela droga negra, quente e forte tão necessária. Mas agora tem o networking. Aquilo que era um momento de descontração para bater papo e relaxar tornou-se uma atividade estruturada e mensurável por métricas especializadas. Fez seu networking? Quantos cartões trocou? Algum contato promissor? Eu nunca fui bom em marketing pessoal e muito menos em networking. Como o nome diz, networking é um tipo de trabalho, um novo item a levar em conta em nossas vidas sobrecarregadas de regras e indicadores de desempenho. Nos bons tempos, a gente fazia contatos simplesmente porque é típico entre nós macacos sem pêlos nos relacionarmos com os pares da mesma espécie. O networking trouxe-nos a profissionalização interesseira do bom e velho bate-papo. Alguém conhece um livro de auto-ajuda com ênfase em networdking? Existem as 101 regras para o networking eficaz? Quem quiser fazer networking comigo, estou à disposição.

sábado, 8 de março de 2008


Chris Anderson, editor da revista Wired e autor de A cauda longa, está concluindo sua nova obra: Free. Nesse novo livro ele trata da tendência particularmente forte no mundo digital de oferecer produtos e serviços gratuitamente. Leia um trecho do livro (em inglês).


Bem, não é tudo grátis. Por exemplo: um site de jogos multiplayer dá acesso básico grátis, mas cobra pela conta premium. Ou então: a operadora dá o celular de brinde, mas cobra uma assinatura salgada. A mesma operadora mantém um provedor gratuito de Internet para usuários de conexão discada para que o cliente use mais o telefone. Essa tática não é nova. Chris Anderson cita o exemplo de King Gillette que distribuía aparelhos de barbear gratuitamente, pois o negócio do senhor Gillette era vender lâminas descartáveis. Traficantes de drogas também distribuem seu produto gratuitamente a clientes potenciais pensando numa fidelização futura.


Talvez eu seja o último neo-liberal (do bem, viu?), pois nunca vi com bons olhos as táticas maliciosas da economia free. Elas criam uma distorção em nossas mentes sobre o real valor das coisas. Não acredito em serviços grátis. Sei que pago a conta da TV aberta toda vez que abro uma Coca-Cola e que a escola pública e gratuita é paga com impostos. Mas a cultura da gratuidade faz sucesso na Internet. O Google é amado por legiões porque é free, ao contrário da Microsoft que é vista como Grande Satã porque cobra por licenças de uso. Alguém paga pelos serviços do Google: são os compradores de produtos anunciados pelo AdWords. O ecossistema da Internet está muito vinculado à gratuidade dos serviços e as novas gerações vão ficar viciadas nessa ilusão, assim como a TV aberta se estabeleceu em um modelo de negócio grátis no lado consumidor. Infelizmente, poucos percebem as estratégias marotas da gratuidade. Nem relógio trabalha de graça e a questão é simples: grátis para quem?

domingo, 2 de março de 2008

Em que fase a lua está hoje?

Ganhei três calendários em 2008, mas nenhum deles traz as fases da lua. O calendário do Windows também não me dá essa informação, nem tampouco o calendário que mantenho no Netvibes. Para saber em que fase a lua está tenho que pesquisar em um site especializado em astronomia. E para que saber em que fase a lua está? Os motivos são muitos. Eu gosto de sentar no gramado do quintal à noite para ouvir os grilos e observar a lua. Isso faz muito bem ao meu equilíbrio interior. Eu sei de pessoas que não cortam o cabelo na minguante e de outras que olham a fase da lua antes de irem pescar. Os astrônomos se ocupam da lua para entender a matemática do céu e os poetas se emocionam diante dela. No entanto, parece que cada vez menos gente se interessa pelas influências da lua em nossas vidas. A maioria das pessoas nem deve saber quantos dias dura uma fase ou a seqüência em que elas se alternam. Pois é, o mundo gira, conhecimentos surgem, hábitos tornam-se obsoletos. Talvez daqui a alguns anos conhecimentos sobre a arte de escrever blogs sejam de uma inutilidade fulminante. Hoje você é vanguarda e amanhã, velharia. Mas não se preocupe demais com a dinâmica do conhecimento. Dê um tempo. Que tal observar a lua hoje?